Portugal sofre goleada histórica frente à França no Europeu de Andebol
Há jogos que se perdem. E há jogos que ficam como aviso. O Portugal–França desta tarde entra claramente na segunda categoria.
A seleção nacional saiu derrotada por 46-38 frente à campeã europeia, na segunda jornada da Main Round do Campeonato da Europa de andebol, num encontro que ficou marcado por uma primeira parte absolutamente fora de controlo — e por vários recordes indesejados.
Os primeiros 30 minutos decidiram tudo. Portugal entrou desconcentrado, permissivo defensivamente e incapaz de travar o ritmo francês. O resultado ao intervalo, 28-15, traduziu uma diferença raramente vista neste nível competitivo e abriu caminho a uma tarde histórica… pelos piores motivos.
Um retrato claro do colapso defensivo português e da eficácia clínica do conjunto gaulês.
Depois do intervalo, com o resultado praticamente decidido, Portugal apresentou finalmente outra atitude. Mais agressivo, mais solto e com menos peso emocional, o conjunto das quinas venceu o parcial da segunda parte por 23-18, encurtando distâncias e evitando uma humilhação ainda maior.
Esse crescimento coincidiu também com um relaxamento defensivo da França e com uma maior rotação do selecionador francês — circunstâncias que não apagam o que aconteceu antes, mas que mostram que o desnível não precisava de ter sido tão profundo.
O encontro terminou com 84 golos marcados, novo recorde absoluto em Campeonatos da Europa masculinos, superando o anterior máximo de 81 golos num Eslovénia–Montenegro.
Individualmente, a França voltou a mostrar profundidade e qualidade em todos os setores. Dika Mem foi o principal destaque, com oito golos em oito remates (100% de eficácia), enquanto Ludovic Fabregas somou seis e Melvyn Richardson cinco. Apenas Aymeric Zaepfel terminou o encontro sem marcar.
Do lado português, o rendimento foi mais repartido, com Victor Iturriza, Salvador Salvador, Diogo Branquinho, Luís Frade e Ricardo Brandão a assinarem cinco golos cada. Nota menos positiva para Francisco e Martim Costa, que estiveram abaixo do habitual, com quatro e um golos, respetivamente.
Portugal vira agora atenções para os dois últimos desafios da Main Round: Noruega, já esta segunda-feira, e Espanha, no dia 28 de janeiro. Depois do que aconteceu frente à França, uma coisa é certa: não há mais margem para entrar em falso.