Atlético vence 3-5 no Feijó em jogo marcado por golos… e um triste episódio racista
O Atlético Clube de Portugal regressou às vitórias na Liga Feminina Placard ao derrotar o Futsal Feijó/Metaseguros por 3-5, num jogo marcado pelo ritmo ofensivo elevado, várias reviravoltas e um episódio lamentável vindo das bancadas, que obrigou à interrupção da partida aos 35 minutos. Dentro de campo, a formação lisboeta mostrou maior maturidade competitiva e superioridade nos momentos decisivos, perante um Feijó que nunca deixou de lutar.
O encontro começou a todo o gás, com o Atlético a inaugurar o marcador logo aos 4 minutos. Após uma reposição lateral na esquerda, Shirley Alves abriu em diagonal para Andreza Queiroz, que rematou cruzado. Ao segundo poste, Joana Meira Carvalho apareceu ao tempo certo para encostar e fazer o 0-1.
O Feijó reagiu de imediato e empatou aos 5’, num excelente livre de Ana Pereira, descaído para a esquerda, que entrou direto na baliza, restabelecendo o 1-1. No entanto, o Atlético voltaria à frente do marcador apenas um minuto depois: canto batido por Shirley Alves e Sofia Carvalhinhos surgiu entre as duas primeiras defensoras para finalizar de primeira — 1-2 aos 6’.
A toada frenética continuou, e aos 7 minutos o Feijó voltou a empatar. Beatriz Sanheiro tabelou com Margarida Alves “Guidinha”, recebeu de volta à entrada da área e rematou de pé esquerdo para o ângulo superior, assinando um belo golo para o 2-2.
A segunda parte trouxe maior prudência defensiva, mas os erros continuaram a marcar o rumo da partida. Aos 25’, um passe arriscado de Ana Marta Sarroeira foi intercetado por Inês Marques, que de primeira serviu Catarina Ribeiro. A ala rematou de pronto e fez o 2-3, devolvendo vantagem ao Atlético.
O jogo ganhou novo ponto de decisão aos 31 minutos, quando Ana Pereira viu o cartão vermelho direto. O Atlético passou a jogar em superioridade numérica e aproveitou de imediato: na cobrança da falta, Sofia Carvalhinhos encontrou Joana Meira Carvalho ao segundo poste, que só teve de encostar para o 2-4.
O Feijó não baixou os braços e reduziu aos 33’. Um passe arriscado de Joana Meira perto da sua área foi intercetado por Carolina Liliu, a bola ressaltou para Beatriz Sanheiro no interior da área e esta não falhou, fazendo o 3-4, recolocando emoção no encontro.
Aos 35’, o Atlético voltou a marcar. Livre cobrado por Fernanda Silva na direita, bola colocada na ala contrária para Sofia Carvalhinhos, que rematou rasteiro. Priscilla Gomes “Pris” defendeu, mas acabou por levar a bola consigo para dentro da baliza — 3-5 para as visitantes.
Logo após o golo, registou-se um episódio lamentável: Priscilla Gomes foi alvo de insultos racistas oriundos da bancada. O jogo esteve interrompido até serem tomadas as devidas medidas de segurança e garantidas as condições para prosseguir. Um momento triste que manchou um espetáculo desportivo e que demonstra que, em pleno 2026, o combate ao racismo continua a ser uma urgência absoluta.
Nos minutos finais, já com o Feijó em 5x4 (Guidinha a guarda-redes avançada), o Atlético voltou a dispor de superioridade numérica após a expulsão direta de Daniela Almeida aos 38’, mas o resultado não sofreu alterações.
Foi um jogo de ritmo alto, marcado por erros, golos e muita emoção. O Atlético CP mostrou maior frieza nos momentos decisivos e foi eficaz na superioridade numérica, justificando os três pontos. O Feijó deixou boa imagem ofensiva, mas voltou a ser penalizado por falhas de construção e perdas de bola em zonas proibidas. Fora das quatro linhas, fica a nota grave de um episódio de racismo, prontamente sancionado pela equipa de arbitragem — um gesto necessário, mas que evidencia a importância contínua do respeito e educação no desporto.