Heróis do Mar fazem história no Europeu de Andebol



Há vitórias que não se medem apenas pelo resultado. Medem-se pelo silêncio que fica antes do grito, pelos segundos que parecem eternos e pelo peso histórico que cai sobre um golo marcado em cima da buzina. O de Martim Costa, a seis segundos do fim, contra a Suécia, foi tudo isso: o 36-35 que selou o 5.º lugar no Europeu de 2026 e confirmou que Portugal já não está de passagem no andebol europeu.

Nunca a seleção nacional tinha ido tão longe num Europeu. Melhorou o 6.º lugar de 2020, mas, mais do que subir um degrau na classificação, voltou a subir um patamar na perceção. Esta equipa joga como quem sabe exatamente para onde vai. E joga sem medo.

O jogo decisivo foi um retrato fiel do caminho feito. Intenso, veloz, emocionalmente extenuante. Andebol ou Fórmula 1? Pouco tempo para pensar, muito espaço para decidir. Em menos de quatro minutos, Martim Costa já tinha quatro golos. Terminaria com nove, num daqueles dias em que a baliza parece maior e o braço mais leve.

A Suécia respondeu como se esperava de uma potência histórica. Quando teve superioridade, encostou Portugal às cordas, mas encontrou um Gustavo Capdeville inspirado, talvez no seu melhor momento no torneio. Duas defesas consecutivas a livres de sete metros mantiveram o empate e deram oxigénio a uma equipa que nunca deixou de acreditar.

A segunda parte trouxe dificuldades acrescidas. Lukas Sandell castigava à distânciaJim Gottfridsson flutuava entre linhas, e os suecos chegaram a dois golos de vantagem. Mas foi aí que apareceu o instinto competitivo desta geraçãoKiko Costa entrou em modo imparável, indiferente às defesas, e Portugal voltou ao jogo.

Nos minutos finais, a imagem ficou gravada: quatro jogadores portugueses a travarem Oscar Bergendahl, símbolo da força nórdica. Solidariedade defensiva, entrega total, coração a bater fora do peito. E depois, o último ataqueA bola, o tempo a esgotar-se, o remate. Golo. Fim.

Portugal fechou o Europeu com uma vitória memorável e a sensação clara de que este não é o teto. Os Heróis do Mar já não se encolhem perante os pódios. Ainda não sabemos quando, mas o andebol português está a caminhar, com passos seguros, para um dia cobrar esta evolução em forma de medalha.

E quando esse dia chegar, perceber-se-á que tudo começou aqui: em pequenos avançosem jogos decididos no último segundo, e na convicção de que o impensável deixou de o ser.



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