Nuno Dias: “Faltou-nos maturidade. Perdemos o jogo com a bola no nosso poder.”
Num dérbi decidido a quatro segundos do fim, Nuno Dias não fugiu à responsabilidade. O treinador do Sporting CP assumiu o demérito no lance final, considerou o resultado injusto face às oportunidades criadas e deixou claro que a eliminatória está apenas “no intervalo”, com decisão marcada para 6 de março, no Pavilhão João Rocha.
“Hoje fomos melhores”
Questionado sobre a repetição de um desfecho tardio frente ao rival, o técnico distinguiu este encontro do jogo da Liga.
“São situações distintas. No jogo da Liga houve maus acompanhamentos que permitiram a reviravolta. Hoje não. Hoje fomos melhores. Bem melhores.”
Nuno Dias sustentou a ideia com as ocasiões criadas.
“As grandes oportunidades, as claras oportunidades de golo, foram do Sporting. Quantas vezes tivemos cara a cara com o guarda-redes? Eu conto quatro ou cinco. Tivemos um dois para um com o Pauleta para o Allan. Tivemos uma grande situação na primeira parte com o Zicky e outra na segunda parte com o Rocha.”
E apontou à eficácia:
“Se temos cinco situações na cara do guarda-redes e não marcamos, é claramente um aspeto que temos de melhorar.”
O último lance: “Foi demérito nosso”
Sobre o golo sofrido nos instantes finais, foi direto.
“Tínhamos a bola na nossa mão quatro ou cinco segundos para acabar o jogo. Não tínhamos de permitir uma transição.”
E afastou a leitura de mero mérito adversário:
“Podem dizer que o Benfica acreditou e lutou até ao fim. Não tem a ver com lutar e acreditar. Tem a ver connosco. A bola estava na nossa mão.”
A frase que marcou a conferência:
“Perdemos o jogo com a bola no nosso poder. Isso é inadmissível numa equipa que quer ser campeã da Europa.”
Eliminatória no “intervalo”
Apesar da frustração, deixou a mensagem competitiva.
“Esta eliminatória é de 80 minutos. Está no intervalo. Temos 40 minutos no Pavilhão João Rocha para melhorar e vencer.”
E reforçou:
“Mesmo que tivéssemos empatado, tínhamos de ganhar lá.”
Bolas paradas, duelos e pormenores
Confrontado com os golos sofridos e os detalhes defensivos, assumiu que eram aspetos já trabalhados.
“Esses pormenores são coisas que nós já tínhamos alertado. E fazem a diferença nestes jogos.”
Identificou falhas individuais:
“É um um contra um em que somos batidos. É um duelo individual. É um mau acompanhamento. É uma má decisão.”
“Não é coletivo. São pequenos pormenores individuais.”
A ausência de Zicky
Sobre o lance que afastou Zicky Té durante vários minutos, reconheceu impacto estratégico.
“Tirar o Zicky do jogo é sempre bom para quem joga contra o Sporting. Sempre.”
Admitiu ainda que o rival cresceu nesse período.
“O Benfica melhorou significativamente no jogo de pivô na segunda parte.”
Arbitragem e responsabilidade
Questionado sobre os lances polémicos, respondeu:
“Não vi imagens. Se foi dentro, parabéns ao Benfica. Se foi fora, é erro.”
Sobre o lance com Rocha:
“Ele estava na frente, foi agarrado dentro da área. O árbitro viu e não quis marcar.”
Mas voltou a recentrar:
“Tudo o que eu possa dizer perde força quando temos a bola a quatro segundos do fim e sofremos golo.”
81 jogos e momento da época
Relativizou o recorde europeu:
“Trocava este recorde por uma vitória. Quando os recordes não vêm acompanhados de vitórias, não têm valor para mim.”
E enquadrou o momento competitivo:
“A época está decidida. O que nos resta é querer ser a melhor equipa da segunda volta.”
Final
Se a Luz decidiu no último suspiro, Nuno Dias deixa claro que a história ainda está longe do fim. O Sporting parte para o João Rocha com a convicção de que foi superior, mas consciente de que, neste nível, um segundo — ou quatro — podem decidir tudo. A 6 de março, a eliminatória recomeça com mais 40 minutos onde os pormenores voltarão a pesar como ouro.