Cassiano Klein: “Não tem vantagem. Um jogo como este decide-se nos milímetros.”



O treinador do SL Benfica, Cassiano Klein, valorizou o triunfo alcançado no último segundo frente ao Sporting CP, mas rejeitou a ideia de que o golo decisivo represente vantagem determinante na eliminatória.

“Ficamos felizes pelo resultado. Ver os nossos adeptos vencer no finalzinho um jogo magnífico como esse é importante. Mas não tem vantagem, é sério. Um jogo como o nosso, com essa velocidade, decide-se numa bola.”

O técnico encarnado antecipou novo duelo decidido no detalhe.

“O jogo da volta vai ser para os milímetros de novo, como foi hoje. Poderia ter dado 4-3 para o Sporting, 5-3 para o Sporting, como poderia ter dado 5-3 para nós. Foi muito equilibrado. Eu tenho o máximo respeito, porque sei o quão desafiante é competir contra o Sporting.”


“Talvez o Sporting tenha sido melhor em alguns momentos”

Confrontado com as palavras de Nuno Dias, que considerou o resultado injusto, Cassiano mostrou compreensão.

“Talvez em algum momento o Sporting possa ter sido melhor. Isso é muito mérito deles, pela equipa que têm, pelo treinador que têm. Creio que o senhor Nuno colocou isso porque teve essa sensação.”

Ainda assim, destacou a constância da sua equipa.

“A minha sensação é que nós competimos muito, fomos muito constantes. Competir 40 minutos neste nível é desafiante física, tática e mentalmente.”

Sobre o golo decisivo:

“Se eu digo que merecemos, não é porque jogámos melhor ou pior. Merecemos porque não desistimos do jogo. Lutámos, acreditámos. Mentalmente a equipa não se entrega.”


A força mental nasce do trabalho diário

Klein atribuiu a resiliência do Benfica à preparação constante.

“Eu vejo uma equipa que trabalha muito duro, longe dos holofotes. É muito cómodo jogar nesta atmosfera, com os adeptos. O duro é todos os dias.”

E acrescentou:

“A força mental vem da preparação. Quando você sai do treino com a sensação que deu o melhor, essa equipa não vai faltar em espírito no jogo.”

Reconheceu, contudo, que o processo continua em evolução.

“Nós estamos a construir uma equipa ainda. Uma coisa é jogar. Outra coisa é jogar gerando resultado. E hoje estamos a gerar resultado.”


1:3:1, 1:4:0 e a versatilidade estratégica

Questionado sobre a importância do 1:3:1 — muitas vezes apontado como decisivo — Cassiano aprofundou.

“Na questão do 1:3:1, a tua leitura é fantástica. Hoje conseguimos manter-nos no jogo graças ao 1:3:1.”

Explicou que a versatilidade é determinante ao mais alto nível.

“Uma equipa de qualidade tem que ter essas facetas. Tem a hora que tem que jogar em 1:4:0, uma hora em 1:3:1. Conseguir construir isso e gerar resultado é desafiante.”

E reforçou:

“Uma coisa é você jogar. Outra coisa é você jogar gerando resultado.”

Foi claro quanto ao impacto na partida.

“Hoje, sem dúvida nenhuma, o 1:3:1 fez uma diferença muito grande para nós.”


A resposta às críticas de Ricardinho e a influência do basquete

Confrontado com declarações recentes de Ricardinho sobre o futsal atual — nomeadamente o recurso frequente ao guarda-redes subido e menor protagonismo individual — Cassiano respondeu com uma explicação conceptual.

“Eu sou apaixonado pelo basquete. E o basquete tem uma filosofia muito simples: criar uma pequena vantagem.”

Transportando essa ideia para o futsal:

“No futsal nós procuramos uma pequena vantagem. Pode ser num bloqueio, pode ser num um contra um, pode ser com o guarda-redes.”

Sublinhou a evolução física e tática da modalidade.

“Hoje o futsal é muito intenso. Você tem meio segundo para decidir. A defesa prevalece muito mais. O rigor físico aumentou.”

E explicou a necessidade de adaptação estratégica.

“O que nós procuramos é chegar na baliza do adversário. E para isso precisamos criar um desequilíbrio.”


A última questão: menos criação, mais jogo direto

Questionado se hoje se cria menos atrás e se joga mais direto no pivô por causa da pressão, Klein respondeu com exemplo concreto.

“Nós tivemos bola esta época e trocámos 26 passes.”

Segundo o técnico, tudo depende do comportamento defensivo do adversário.

“Se a defesa está um pouco mais baixa, você consegue circular a bola.”

Mas quando a pressão sobe:

“Quando a defesa te pressiona muito, o espaço vazio está nas costas dela. Se você insistir em jogar onde a defesa está, ela vai roubar a bola. É impossível.”

Daí a necessidade de leitura e adaptação:

“Quando você tem uma defesa que te pressiona muito, como o Sporting, você tem que procurar o espaço vazio. Pode ser a bola no pivô, pode ser um 1:4:0 com bola.”

Concluiu reforçando a objetividade exigida pelo jogo moderno:

“Se temos espaço, a bola pode circular mais. Se temos menos espaço, temos que ser muito objetivos e colocar a bola onde a defesa não está.”


A Luz sorriu no último suspiro, mas a decisão final da eliminatória escreve-se a 6 de março, no João Rocha, onde cada detalhe voltará a pesar como ouro.


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