De 4-1 a 5-5: noite de loucura em Vila do Conde
O Pavilhão de Desportos de Vila do Conde viveu uma noite absolutamente fora do comum. Rio Ave FC e Eléctrico FC/ A Matoscar empataram 5-5, na 17.ª jornada da Liga Placard, num encontro de dez golos, livres de 10 metros, grande penalidade, reviravolta e um empate arrancado em 5x4, num final onde a emoção foi constante até ao último lance.
O jogo começou com o Rio Ave a ter bola, mas foi o Eléctrico a assustar cedo. Aos 2 minutos, Henrique Vicente recuperou no meio-terreno, conduziu até à entrada da área e obrigou Moreira a defender com os pés. O aviso estava dado.
E o primeiro golo apareceu logo de seguida. Aos 4 minutos, numa reposição rápida de Diogo Basílio, Henrique Vicente conduziu o contra-ataque pelo corredor esquerdo e serviu Pedro Santos ao segundo poste, que finalizou para o 0-1. O Eléctrico estava na frente e mostrava que vinha para discutir o jogo olhos nos olhos.
A resposta do Rio Ave foi imediata e chegou pela bola parada. Aos 6 minutos, falta em zona central, Tiago Cruz cobrou para a direita, Serginho rematou, a bola desviou em Kayque dos Santos e entrou: 1-1. O empate devolveu o jogo ao equilíbrio e elevou ainda mais o ritmo.
O Eléctrico continuou agressivo e acumulou cedo faltas — chegou a 4 faltas aos 7 minutos e, pouco depois, ao perigoso patamar das 5 faltas. Ainda assim, antes disso, criou perigo: Pedro Santos atirou à barra num canto apontado por Renato Almeida, num lance de enorme qualidade que podia ter voltado a dar vantagem aos alentejanos.
Com o Eléctrico carregado de faltas, o Rio Ave passou a ter um fator extra do seu lado. Aos 14 minutos, surgiu a reviravolta: Kayque dos Santos, em grande trabalho de pivô, rodou para dentro, ganhou espaço e rematou de pé direito para o 2-1.
Aos 16 minutos, chegou o primeiro livre de 10 metros para o Rio Ave. Rúben Góis foi chamado, mas Diogo Basílio defendeu. Dois minutos depois, novo castigo máximo: outro livre de 10 metros e, desta vez, Serginho bateu Basílio para o 3-1, confirmando a eficácia vila-condense no momento decisivo.
Até ao intervalo, o Eléctrico ainda teve oportunidade clara: Henrique Vicente apareceu na cara de Moreira a 25 segundos do descanso, mas o guarda-redes levou a melhor. O Rio Ave ia para o intervalo com vantagem de dois golos, mas o jogo estava longe de estar controlado.
A segunda parte começou com o Eléctrico a tentar voltar a entrar no jogo, mas aos 24 minutos o Rio Ave ampliou para uma margem que parecia decisiva. Simi derrubou Zezinho dentro da área e foi assinalada grande penalidade. Rúben Góis não falhou e fez o 4-1.
Só que o jogo mudou completamente a partir daí.
Aos 29 minutos, o Eléctrico reduziu com qualidade pura. Diogo Basílio lançou direto para Thiago da Silva, que recebeu, rodou e disparou para um grande golo: 4-2. O Eléctrico ganhou vida e o jogo ganhou fogo.
Aos 33 minutos, nova machadada na confiança do Rio Ave: Renato Almeida, em lance individual, “dançou” na frente de Kayque, rematou cruzado e a bola bateu nas costas de Zezinho, traindo Moreira: 4-3.
E aos 34 minutos, veio o empate — agora com a descrição correta do lance. Canto trabalhado, Henrique Vicente toca de calcanhar e Simi aparece no meio da área para finalizar: 4-4. Um golo de laboratório, executado com precisão e frieza.
O Eléctrico não ficou por aí. Aos 36 minutos consumou a reviravolta: Henrique Vicente voltou a ser decisivo, descobriu Fernando Nogueira na direita já dentro da área, e este assistiu Telmo Sousa, que fez o 4-5. Em poucos minutos, a equipa de Ponte de Sôr transformava um 4-1 num 4-5.
A tensão aumentou ainda mais com o cartão vermelho a Nuno Costa por enviar água para dentro da quadra, num momento raro e que elevou o nervo do jogo.
O Rio Ave foi obrigado a arriscar tudo. Aos 37 minutos avançou para o 5x4, com Pedro Rodrigues “Carabette” a vestir a camisola de guarda-redes avançado. E o risco foi recompensado: aos 38 minutos, quando a equipa se preparava para montar o ataque, Rúben Góis rematou de muito longe, a bola desviou em Fernando Nogueira e entrou: 5-5.
Os minutos finais foram de pura ansiedade. Dinis rematou com perigo, Basílio respondeu, e no contra-ataque seguinte Serginho voltou a ficar perto de decidir, mas o guarda-redes do Eléctrico manteve-se firme. Já a 5 segundos do fim, após um contra-ataque venenoso, Pedro Santos falhou o que parecia ser o golo, permitindo a defesa de Moreira — o último grande suspiro de um jogo impossível de prever.
Foi um empate que encaixa num jogo de extremos. O Rio Ave foi eficaz nas bolas paradas e aproveitou o momento das faltas acumuladas para cavar vantagem, mas deixou escapar o controlo após o 4-1. O Eléctrico reagiu com enorme personalidade, qualidade ofensiva e uma reviravolta notável, mas acabou por ceder o empate no momento em que o adversário arriscou tudo no 5x4.
A figura da partida foi Henrique Vicente, determinante em transições, decisivo no 0-1, peça central no 4-4 e novamente influente na construção do 4-5.
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