Um final de primeira parte demolidor empurrou o Ferreira para as meias-finais
O Ferreira do Zêzere by Zêzereovo venceu a ACD Ladoeiro por 6-0 e garantiu presença nas meias-finais da prova, num encontro em que a diferença no marcador acabou por ser construída com grande autoridade, apesar da réplica competitiva deixada pela formação da II Divisão durante boa parte da primeira metade.
O resultado final traduz um apuramento claro, mas não conta sozinho toda a história de um jogo que, durante largos minutos, foi mais equilibrado do que a diferença de seis golos pode fazer crer. O Ferreira do Zêzere foi superior, mostrou mais argumentos individuais e coletivos, revelou maior capacidade para transformar o domínio em ocasiões e, sobretudo, soube ferir o adversário nos momentos decisivos. Mas a ACD Ladoeiro deixou boa imagem, discutiu o encontro enquanto conseguiu manter-se dentro dele e chegou mesmo a ter uma oportunidade flagrante para mudar o rumo da eliminatória.
A equipa orientada por Cristiano Coelho entrou mais afirmativa, procurando desde cedo instalar-se no meio-campo ofensivo e explorar a mobilidade de Jó Mahrez, Francisco Oliveira e Rui Fortes. Logo nos primeiros minutos, Daniel Sodré obrigou Maurício Dionísio a uma boa intervenção, e a resposta do Ladoeiro surgiu quase de imediato por Daniel Silva, num sinal claro de que os beirões não estavam em Gondomar apenas para resistir.
Ainda assim, a primeira grande diferença surgiu cedo. Aos 4 minutos, Rodrigo Monteiro fez o 1-0, concluindo de primeira um passe atrasado de Francisco Oliveira, depois de uma boa arrancada do ala pela esquerda. Foi um golo que premiou a melhor entrada do Ferreira, mas não quebrou a organização nem a ambição do Ladoeiro, que se manteve competitivo, compacto e atento às possibilidades de sair em transição.
A formação de Dário Gaspar foi aguentando a pressão, beneficiando também da boa exibição de Maurício, que travou várias investidas adversárias. Rui Fortes apareceu isolado e esbarrou na mancha do guarda-redes, Francisco Oliveira e Jó Mahrez continuaram a criar desequilíbrios, mas o jogo manteve-se aberto e, aos 10 minutos, surgiu o momento que podia ter mudado tudo.
Num contra-ataque rápido do Ladoeiro, Octávio Alves cortou um passe com o braço dentro da área e foi assinalada grande penalidade. Chamado a converter, Bruno Serôdio não conseguiu bater Pedro Martinho, que defendeu o remate e segurou a vantagem do Ferreira. Foi um lance determinante, não apenas pelo que evitou no marcador, mas pelo impacto emocional que teve num adversário que procurava agarrar-se ao jogo.
Depois desse susto, o Ferreira retomou o controlo e começou a crescer. Maurício ainda foi adiando males maiores, travando remates de Daniel Sodré, Jó Mahrez e Francisco Oliveira, mas a sensação de perigo junto da baliza do Ladoeiro tornava-se cada vez mais constante. Também do outro lado houve réplica, com Daniel Silva a ser o principal agitador ofensivo da equipa da II Divisão, obrigando Pedro Martinho a novas intervenções seguras e chegando mesmo a rematar ao poste pouco antes do intervalo.
Mas foi precisamente nessa reta final do primeiro tempo que a eliminatória ficou praticamente resolvida.
Aos 18 minutos, Rodrigo Monteiro fez o 2-0, depois de receber de Octávio Alves, puxar para o pé esquerdo e rematar com qualidade, tirando adversários do caminho antes de bater Maurício. O Ladoeiro ainda tentava manter-se ligado ao jogo, mas o golpe foi pesado, e o Ferreira percebeu que era o momento de apertar.
A partir daí, tudo aconteceu depressa. Aos 20 minutos, Rui Fortes fez o 3-0, concluindo um lance trabalhado após lançamento lateral, e logo a seguir, ainda antes do intervalo, Jó Mahrez assinou o 4-0, na sequência de uma combinação com Daniel Sodré. Em poucos instantes, o equilíbrio que o jogo ainda guardava desapareceu do marcador, e a ACD Ladoeiro saiu para o descanso castigada por uma ponta final em que o Ferreira foi letal.
A segunda parte já começou com outro enquadramento. Com quatro golos de vantagem, o Ferreira passou a jogar com maior serenidade, controlando os ritmos e obrigando o Ladoeiro a correr mais riscos. O conjunto da II Divisão procurou manter-se competitivo, continuou a tentar sair com critério e ainda criou alguns lances de perigo por Patrick Pereira, Oseias Júnior e Daniel Silva, mas faltava-lhe já capacidade para reabrir verdadeiramente a discussão.
Do lado ribatejano, o controlo transformou-se novamente em eficácia. Aos 24 minutos, Francisco Oliveira fez o 5-0, depois de uma excelente jogada individual de Jó Mahrez, que voltou a desequilibrar e a assistir. O ala foi, aliás, um dos nomes mais influentes do encontro, sempre disponível para acelerar, ligar jogo e aparecer nos momentos de definição.
O Ladoeiro nunca deixou de procurar o golo, teve até uma bola no poste por Daniel Silva e viu Patrick Pereira ameaçar em várias ocasiões, mas encontrava sempre um Ferreira confortável, seguro nas coberturas e com Pedro Martinho a responder quando foi chamado. Já com o resultado dilatado, a formação de Dário Gaspar arriscou no 5x4, com Oseias Júnior como guarda-redes avançado, numa tentativa final de encurtar distâncias.
Mas também aí acabou por surgir novo castigo. Aos 37 minutos, Djaelson aproveitou um erro na circulação em superioridade numérica e fez o 6-0, conduzindo até à baliza deserta e fechando em definitivo a eliminatória. Até final, os últimos minutos foram já de gestão por parte do Ferreira do Zêzere, que segurou a vantagem sem sobressaltos e confirmou com inteira justiça a passagem às meias-finais.
Foi um triunfo justo, sólido e construído com grande maturidade competitiva por parte do Ferreira do Zêzere, que soube suportar o único grande momento de risco do encontro — a grande penalidade defendida por Pedro Martinho — e teve qualidade suficiente para acelerar no momento certo e resolver a partida ainda antes do intervalo. A equipa de Cristiano Coelho mostrou maior profundidade, melhor capacidade de definição e frieza para explorar cada fragilidade do adversário.
Já a ACD Ladoeiro, apesar da boa imagem deixada durante largos minutos e da forma como se manteve dentro do jogo até perto do descanso, acabou por pagar caro a falta de eficácia no momento-chave da grande penalidade e a incapacidade para resistir ao vendaval ofensivo do Ferreira no final da primeira parte. O conjunto da II Divisão sai eliminado, mas com sinais competitivos que ajudam a explicar o percurso conseguido até esta fase da prova.
A figura da partida foi Francisco Oliveira, autor de um golo e duas assistências, sempre desequilibrador no um para um e decisivo na forma como ajudou a desmontar a organização defensiva do Ladoeiro. Numa noite em que o Ferreira do Zêzere confirmou o favoritismo, foi ele quem melhor encarnou a superioridade da equipa ribatejana.
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