Em ritmo de vendaval, o Sporting esmagou cedo qualquer esperança do Famalicão
O Sporting CP goleou o FC Famalicão por 11-1 e garantiu presença nas meias-finais da prova, numa exibição avassaladora em que a equipa de Nuno Dias resolveu praticamente a eliminatória logo nos minutos iniciais.
Havia desequilíbrio teórico entre as equipas, mas o Sporting fez questão de transformar essa diferença potencial numa superioridade real, clara e esmagadora desde o apito inicial. A formação leonina entrou com uma intensidade altíssima, imprimiu um ritmo sufocante ao encontro e, em poucos minutos, deixou o Famalicão sem margem para respirar, reagir ou sequer estabilizar emocionalmente dentro da partida.
O arranque foi absolutamente demolidor. Depois de um primeiro sinal por Bernardo Paçó, o Sporting inaugurou o marcador aos 2 minutos, com Tomás Paçó a finalizar de primeira, em zona frontal, na sequência de um canto. Ainda os famalicenses procuravam reorganizar-se, já o conjunto verde e branco voltava a ferir. Aos 3 minutos, Diogo Santos fez o 2-0, surgindo solto ao segundo poste após assistência de Alex Merlim, num lance que expôs desde logo as dificuldades defensivas do adversário perante a mobilidade e a qualidade de circulação leonina.
O Famalicão ainda tentou responder por Natan Minatti e Douglas Risi, mas o jogo estava completamente inclinado. O Sporting pressionava alto, recuperava cedo e encontrava constantemente espaço para finalizar. Aos 5 minutos, Pauleta fez o 3-0, também num lance de bola parada, concluindo de primeira uma jogada de laboratório num canto. A essa altura, o encontro estava já partido.
O único momento em que a equipa de Hugo Oliveira conseguiu dar sinal de vida surgiu aos 8 minutos. Depois de mais uma investida leonina culminada no 4-0 por Tomás Paçó, novamente servido por Diogo Santos, o Famalicão reduziu quase de imediato. Alan Gitahy recuperou a bola e lançou o contra-ataque, servindo Rúben Santos ao segundo poste para o 4-1. Foi, no entanto, uma breve interrupção no domínio absoluto do Sporting, e não o início de uma reação.
A resposta leonina foi imediata e devastadora. Ainda aos 11 minutos, Bruno Pinto fez o 5-1, culminando um contra-ataque conduzido por Diogo Santos, e aos 17 minutos foi a vez de Pauleta bisar, depois de uma boa receção orientada e finalização sem falha no frente a frente com Guilherme Oliveira. Pelo meio, o Famalicão ainda teve uma ocasião soberana para reduzir, mas Márcio Moreira, aproveitando uma perda de bola de Bernardo Paçó em zona adiantada, rematou ao lado da baliza deserta. Foi um dos poucos momentos em que os minhotos puderam verdadeiramente lamentar a falta de eficácia.
Ao intervalo, o 6-1 já espelhava de forma fiel o que se passava em quadra: um Sporting muito superior em todos os momentos do jogo, ofensivamente solto, agressivo na recuperação e com enorme variedade na forma de chegar ao golo, perante um Famalicão incapaz de acompanhar a intensidade, as trocas posicionais e a qualidade de execução do adversário.
A segunda parte trouxe menor urgência competitiva, mas não alterou minimamente o sentido do encontro. O Sporting continuou a circular com confiança, a explorar as fragilidades defensivas do Famalicão e a acumular ocasiões, enquanto os minhotos tentavam, com esforço, evitar que o resultado se tornasse ainda mais pesado. Douglas Risi ainda obrigou Gonçalo Portugal a uma defesa, mas o resto do encontro voltou a correr num único sentido.
Aos 28 minutos, Tomás Paçó completou o hat-trick, na sequência de um fora lateral trabalhado com Alex Merlim, elevando para 7-1. Pouco depois, Felipe Valério aproveitou um erro de Cláudio Carvalho para fazer o 8-1, e o Sporting transformou definitivamente o jogo numa demonstração de poder ofensivo e confiança coletiva.
A reta final foi um exercício de controlo, mas também de ambição. Rocha, com um excelente trabalho de pivot, rodou sobre o defensor e fez o 9-1 aos 33 minutos. Aos 35, Felipe Valério voltou a marcar, desta vez com um belo gesto técnico a passar a bola sobre Cláudio Carvalho, e aos 38 minutos completou o hat-trick com um remate rasteiro, prensado num adversário, que traiu o guarda-redes famalicense e fixou o 11-1 final.
Mesmo com a goleada praticamente consumada, o Sporting continuou ligado até ao fim, sinal de uma equipa que não relaxou e que encarou a eliminatória com a seriedade própria de quem quer chegar ao troféu. O Famalicão, por seu lado, foi resistindo como pôde, mas nunca encontrou forma de travar a avalanche leonina.
Foi uma vitória inequívoca, avassaladora e perfeitamente esclarecedora do Sporting, que entrou para resolver cedo e cumpriu esse objetivo com uma exibição de enorme qualidade coletiva, muita eficácia e variedade ofensiva. A equipa de Nuno Dias foi superior em todos os capítulos, dominou o jogo desde o primeiro minuto e confirmou, sem margem para qualquer dúvida, o apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal.
Já o FC Famalicão acabou por ser arrastado por uma primeira parte demasiado permissiva e por uma incapacidade quase total para lidar com a velocidade de execução e a intensidade do adversário. Os minhotos ainda tiveram um ou outro momento ofensivo digno de registo, mas nunca conseguiram equilibrar o encontro nem proteger com consistência os espaços interiores e o segundo poste, onde o Sporting foi particularmente forte.
A figura da partida foi Tomás Paçó, autor de três golos, sempre influente nos momentos de definição e peça central numa exibição coletiva de altíssimo nível do conjunto leonino. Num jogo em que o Sporting foi muito mais do que a soma dos seus talentos, foi ele quem melhor simbolizou a frieza e a eficácia com que os leões destruíram qualquer hipótese de surpresa.
Foto - fpf.pt