Tudo ou Nada no João Rocha: Sporting e Braga discutem lugar na final - por António Aires
Jogo 3 - O momento da verdade.
SPORTING CP vs SC BRAGA
Depois de dois jogos intensos, equilibrados e emocionalmente desgastantes, Sporting CP e SC Braga voltam a encontrar-se para um derradeiro terceiro jogo que decidirá quem acompanha o SL Benfica na final da Liga Placard.
No jogo 2, confirmaram-se as expectativas de uma excelente partida. Os guerreiros do Minho fizeram talvez o melhor jogo da época, sobretudo no capítulo defensivo e o leão cometeu alguns deslizes colectivos e individuais que tiveram reflexo no desfecho do resultado final. Nestes jogos determinados detalhes, pormenores são cruciais no que concerne ao vencer ou ao perder.
Este jogo pode fazer com que a equipa de Joel Rocha acredite genuinamente que pode eliminar o campeão europeu. Não foi só empatar a eliminatória, mas sobretudo pela forma como foi alcançada. Num ambiente hostil, perante covil do João Rocha completamente lotado e fervilhar, os arsenalistas resistiram aos momentos mais difíceis, sobreviveram ao prolongamento e revelaram uma capacidade competitiva, que confesso não tinha visto durante a presente época.
No jogo, o Sporting mostrou e evidenciou qualidade, mas quem não mata põe-se a jeito de morrer.
Se Joel referiu, no final da partida, que vai tentar recuperar os seus jogadores em vários capítulos, físico e emocional. Afianço que Nuno Dias vai alinhar e afinar os seus leões pela mesma linha de comando.
Dentro da quadra, no jogo jogado, estou com uma agradável expectativa de ver como os bracarenses tentaram anular Zicky Té com a bola nos pés e a sua tomada de decisão, bem como o momento antecedente, o passe. Nestes dois jogos para mim, o jovem pivô foi o MPV das duas partidas.
No Braga, gostei da coesão defensiva. Da combatividade cooperativa entre os jogadores. Dudu, se no jogo 1 comprometeu individualmente, no jogo 2 foi decisivo na baliza arsenalista. Mamadu, Bebé e Barreto têm conseguido criar desequilíbrios importantes.
Do lado contrário, Merlim continua a ser o cérebro ofensivo leonino, enquanto Pauleta e Tomás Paçó aparecem constantemente em momentos decisivos do jogo. No entanto, hoje os jogadores do Sporting falharam no capítulo da finalização.
O que irão apresentar como novidade, os treinadores de Sporting e Braga no jogo 3?!
Honestamente, acho que os Leões gostam destas partidas. E não vejo que possam fugir à sua matriz de tentar assumir o controlo do jogo, pressionado e dificultando a construção ofensiva dos arsenalistas.
Contudo, os minhotos vão em busca do sonho. Vão “guerrear”. Explorar as transições, provavelmente as subidas do guarda-redes na construção e tentarem ser felizes numa fase do jogo, onde a bola por momentos, pelo menos durante 4 segundos, ela está imóvel, que são os esquemas táticos.
Neste terceiro jogo, o que leva o vencedor à final do campeonato, decide-se muitas vezes pela capacidade de lidar com a pressão, pelo aproveitamento dos momentos críticos e pela resposta aos imprevistos que inevitavelmente vão acontecer.
Não tenho dúvidas. Continuo a conferir ao Sporting um ligeiro favoritismo.
Joga perante os seus adeptos e detém aquele “pozinho” que apelido de “uma enorme experiência acumulada neste tipo de decisões”.
Mas no palco onde se vai desenrolar a ação, o Braga não vai aceitar, de ânimo leve, um papel de figurante.
Venham esses quarenta minutos ou mais, para o adepto se deliciar, esteja no Pavilhão ou diante da televisão, desfrutando apaixonadamente daquilo que a arte e o engenho dos jogadores e treinadores, magicamente, animados por uma bola, vão esgrimir na quadra.
E é precisamente para noites como esta que existe o play-off.
Viva, o Futsal.