Noite eterna, vantagem de ouro: Benfica a um passo de ser campeão
O SL Benfica venceu o Sporting CP num Jogo 3 absolutamente épico, que terminou empatado a 5-5 ao cabo do prolongamento e só se decidiu na maratona das grandes penalidades, por 8-7. Num clássico de emoção interminável, com reviravoltas, bolas aos ferros, um hat-trick leonino e uma exibição monumental de Léo Gugiel, as águias somaram uma vitória preciosíssima e colocaram-se em vantagem na série da final, por 2-1, podendo fechar o título nacional já no próximo encontro.
O arranque foi de loucos. Logo ao primeiro minuto, Alex Merlim avisou junto ao ferro de Gugiel e Jacaré obrigou Bernardo Paçó a uma boa defesa, antes de, ao segundo minuto, Tomás Paçó acertar no poste com um pontapé do meio da rua. O Benfica respondia com Edmilson Kutchy a rondar o golo e, ao minuto 7, Bernardo Paçó agigantou-se numa defesa de antologia a negar Arthur na cara da baliza, num dos momentos da primeira parte.
O nulo só se desfez à passagem do minuto 10, e de forma estudada. Após amarelo a Bruno Pinto, André Coelho simulou a cobrança do livre, deslocou-se para a esquerda, recebeu a bola e disparou um tiro colocado para o fundo das redes: 1-0. E o melhor estava para vir. Ao minuto 12, André Coelho voltou a ser decisivo, agora a assistir Diego Nunes ao segundo poste, com o ala a encostar de primeira para o 2-0 — um arranque devastador das águias.
A reação leonina, contudo, foi imediata. Ao minuto 13, já depois do time-out de Nuno Dias, Alex Merlim armou um tiro violento com a ponta da sapatilha para bater Gugiel e reduzir: 2-1. O jogo seguia eletrizante e, ao minuto 16, num erro de passe de Diogo Santos, Carlos Monteiro adiantou-se a todos, conduziu e rematou para o 3-1. O Sporting respondeu de novo: ao minuto 18, Felipe Valério desenhou uma grande jogada individual pela esquerda e serviu Pauleta, que finalizou de primeira para o 3-2. Ainda houve tempo para André Coelho acertar na barra, antes de o intervalo chegar com um vibrante 3-2 e cinco golos no marcador.
A segunda parte abrandou no número de golos, mas não na intensidade. O Sporting cresceu e Bernardo Paçó brilhou ao travar Afonso Jesus e Carlos Monteiro em defesas consecutivas, ao minuto 25, enquanto Léo Gugiel respondia à letra a Rocha, ao minuto 31. O equilíbrio mantinha-se até que, ao minuto 34, num período frenético, tudo aconteceu: primeiro, com o Sporting partido e Bernardo Paçó em funções de guarda-redes subido, André Coelho bisou para o 4-2; de imediato, Pauleta aproveitou uma recuperação para reduzir (4-3) e, ao minuto 35, completou o hat-trick com um remate do meio da rua que passou entre as pernas de Gugiel para o 4-4. Em poucos segundos, o Sporting recuperou dois golos e devolveu o equilíbrio a uma final ao rubro.
Com o resultado empatado, Léo Gugiel travou ainda Zicky e o tempo regulamentar terminou em 4-4, atirando o Jogo 3 para prolongamento. Aí, ao minuto 43, Diego Nunes descobriu Higor de Souza em profundidade e o pivot, mais rápido que Felipe Valério, bateu o guardião para o 5-4. As águias acariciavam a vitória, e Gugiel agigantava-se a cada tentativa leonina, mas o desfecho guardava ainda um derradeiro sobressalto.
Já no último minuto do prolongamento, com o Sporting a apostar no 5x4, Diego Nunes cometeu a sexta falta da equipa, oferecendo aos leões um livre direto de 10 metros. O Benfica lançou mão de Diogo Carrera para a baliza, mas, da marca fatídica, Tomás Paçó não tremeu e bateu Diogo Carrera para o 5-5, num lance que empurrou a decisão para as grandes penalidades.
E o desempate foi tão épico quanto o jogo. Abriu André Coelho (1-0) e respondeu Bruno Pinto (1-1); marcaram depois Edmilson Kutchy (2-1) e Rocha (2-2). Afonso Jesus falhou pelo Benfica, e Tomás Paçó (2-3), seguido do empate de Silvestre Ferreira (3-3) e da conversão de Felipe Valério (3-4), colocou o Sporting na frente. Higor de Souza repôs a igualdade (4-4) e, quando Alex Merlim falhou o seu, Carlos Monteiro devolveu a vantagem às águias (5-4). Seguiram-se Diogo Santos (5-5), Diego Nunes (6-5), Allan Guilherme (6-6), Jacaré (7-6) e Ivan Chishkala (7-7), até que Pany Varela converteu a derradeira grande penalidade (8-7) e selou o triunfo encarnado, com Diogo Carrera decisivo entre os postes.
Foi um triunfo de enorme valor e carácter do SL Benfica, que soube sofrer depois de ver escapar uma vantagem de dois golos, agarrou-se a um guarda-redes inspiradíssimo e teve frieza na lotaria final. Já o Sporting CP, apesar de uma reação fabulosa, do hat-trick de Pauleta e do empate arrancado a 10 metros no último suspiro, acabou por pagar caro os penáltis desperdiçados e sai derrotado de um jogo que dominou em vários momentos. A série segue agora com o Benfica em vantagem por 2-1, a um passo do título nacional.
Figura do Jogo: André Coelho (SL Benfica)
Numa noite de mil heróis, foi o fixo encarnado quem mais pesou. Inaugurou o marcador com uma jogada estudada de génio, assistiu Diego Nunes para o segundo golo, bisou no 4-2 e ainda converteu a primeira grande penalidade do desempate. Líder dentro de quadra e decisivo nos momentos-chave, André Coelho foi o motor da vitória benfiquista. Menção obrigatória para Pauleta, autor de um hat-trick monumental que quase valia outro desfecho, para Léo Gugiel, gigante no prolongamento, e para Diogo Carrera, herói da baliza na lotaria das grandes penalidades.