Caso Internacional SC–Arneiros segue para averiguações e é remetido ao Ministério Público
O polémico caso que marcou a reta final da Taça Nacional Feminina de Futsal conheceu novos desenvolvimentos. O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol deliberou instaurar um processo de averiguações relativamente ao encontro entre Internacional SC e Arneiros, que terminou com uma vitória por 20-0 da formação visitante e teve influência direta na classificação final da Série 3.
A decisão surge na sequência de uma participação apresentada pelo Norte e Soure CSCD de Paleão, clube que contestou as circunstâncias em torno do desfecho da competição e solicitou uma investigação urgente aos factos.
Na exposição enviada à FPF, o Norte e Soure recorda que, na penúltima jornada, o Internacional SC comunicou que não tinha condições para comparecer ao jogo frente à equipa de Paleão, alegando dispor apenas de duas jogadoras disponíveis. A falta de comparência resultou posteriormente numa derrota administrativa e respetivas sanções disciplinares.
Contudo,
uma semana depois, o Internacional SC apresentou-se para disputar o encontro
frente ao Arneiros, acabando derrotado por expressivos 20-0. Segundo o
Norte e Soure, esse resultado revelou-se decisivo para o desempate
classificativo, permitindo ao Arneiros ultrapassar a equipa de Paleão através
da diferença de golos e dos golos marcados.
Na deliberação agora divulgada, o Conselho de Disciplina refere que a sucessão
dos acontecimentos levanta uma “dúvida objetiva, legítima e séria” quanto às
condições em que o encontro foi disputado, justificando assim uma investigação
formal.
Perante os elementos apresentados, o órgão disciplinar decidiu instaurar um processo de averiguações e remeter o caso para a Comissão de Instrução Disciplinar.
Mais significativo ainda, o Conselho de Disciplina entende que a factualidade descrita é “suscetível de indiciar ilícito criminal”, tendo determinado a remessa do processo e da respetiva deliberação ao Ministério Público, para apreciação dos factos e eventual adoção das medidas consideradas adequadas.
A decisão, datada de 19 de junho de 2026, não constitui qualquer juízo definitivo sobre os acontecimentos, mas confirma que o organismo disciplinar da FPF considera existirem elementos suficientes para aprofundar a investigação de um dos casos mais polémicos da presente edição da Taça Nacional Feminina de Futsal.