"Não há amanhã": António Aires lança o Jogo 5 da Final da Liga Placard
Depois de 170 minutos de equilíbrio absoluto, Benfica e Sporting jogam tudo numa última noite. Não há Amanhã.
Chegou o momento da verdade. Depois de quatro jogos intensos, equilibrados e emocionalmente desgastantes e apaixonantes, Águia e Leão reencontram-se este domingo no Pavilhão Fidelidade para decidir o campeão nacional da Liga Placard 2025/26. Não haverá margem para erro. Não haverá amanhã. Tudo o que foi construído ao longo de uma época resume-se agora a quarenta minutos ou mais, se o futsal assim o exigir. Se houve uma palavra que definiu esta final, essa palavra foi equilíbrio.
Ao longo dos 170 minutos já disputados (incluindo o prolongamento do terceiro jogo), o marcador esteve dentro da margem mínima de um golo durante 139 minutos, o equivalente a 82% de toda a série. Mais impressionante ainda é verificar que o Benfica nunca conseguiu construir uma vantagem superior a dois golos e que, durante 64 minutos (38% da final), o resultado esteve empatado. São números que ilustram melhor do que qualquer análise a dimensão competitiva desta final.
O quarto jogo voltou a reforçar essa ideia. O Benfica realizou provavelmente a sua melhor primeira parte da série, criando mais volume ofensivo e terminando o encontro com 53 remates, contra 39 do Sporting. Contudo, voltou a confirmar-se uma tendência que se tem repetido ao longo da eliminatória: nem sempre quem cria mais acaba por vencer.
Bernardo Paçó voltou a revelar-se determinante, realizando 16 defesas, enquanto o Sporting soube crescer na segunda parte, exatamente como reconheceu Nuno Dias. Os leões tornaram-se mais agressivos na pressão, ligaram melhor o jogo aos pivôs, passaram a atacar com maior objetividade e aumentaram significativamente a eficácia ofensiva. Com menos remates do que o adversário, marcaram três golos e levaram a decisão para o jogo cinco.
Também Cassiano Klein encontrou motivos para acreditar. O treinador encarnado considera que o Benfica voltou a aproximar-se da identidade que pretende para a equipa, valorizando a capacidade competitiva demonstrada e acreditando que, perante os seus adeptos, será capaz de dar o último passo rumo ao bicampeonato.
Do ponto de vista ofensivo, esta final também revela enorme diversidade. Os 28 golos marcados até ao momento distribuem-se por várias formas de finalização: 12 golos em bola corrida, 9 golos através de esquemas táticos (1 canto, 3 reposições laterais e 5 livres com barreira), 1 golo de livre direto sem barreira (10 metros) e 6 golos em situações de superioridade/inferioridade numérica (5x4).
Ou seja, praticamente metade dos golos nasceu de momentos preparados ou de situações especiais de jogo, demonstrando a enorme qualidade tática das duas equipas e o peso crescente dos detalhes nesta final.
Também a distribuição dos golos comprova o elevado nível coletivo das duas formações. Os 28 golos foram repartidos por 16 marcadores diferentes, oito de cada equipa. No Benfica (11 golos): Diego Nunes (3), André Coelho (2), Kutchy (1), Lúcio Rocha (1), Carlos Monteiro (1), Higor (1), Arthur (1) e Jacaré (1). Por sua vez, no Sporting (17 golos): Pauleta (5), Tomás Paçó (3), Alex Merlim (2), Diogo Santos (2), Bruno Pinto (2), Zicky Té (1), Wesley (1) e Felipe Valério (1).
Estes números revelam outro dado importante: nenhuma das equipas depende exclusivamente de uma única referência ofensiva. Embora Pauleta seja o melhor marcador da final, tanto Sporting como Benfica apresentam múltiplas soluções capazes de decidir qualquer jogo.
Taticamente, espera-se mais um duelo de enorme exigência. O Benfica continuará fiel ao seu modelo assente no 4:0, privilegiando as ligações posicionais, a circulação rápida e a utilização constante do guarda-redes na construção ofensiva. O Sporting deverá manter o seu 3:1, procurando acelerar a ligação ao pivô, explorar movimentos nas costas da defesa e aumentar a intensidade defensiva, precisamente aquilo que lhe permitiu alterar completamente o quarto encontro.
A gestão emocional poderá, contudo, ser ainda mais decisiva do que qualquer ajuste tático. Depois de quatro jogos disputados em apenas duas semanas, os treinadores praticamente esgotaram as possibilidades de surpresa estratégica. Como reconheceu Cassiano Klein, a preparação passa agora sobretudo pela recuperação física. Nuno Dias partilha da mesma opinião: nesta fase, mais do que inventar, importa recuperar os jogadores e garantir que chegam ao último jogo com capacidade para competir ao máximo.
A ausência de Zicky Té constitui naturalmente uma baixa importante para o Sporting, obrigando os leões a redistribuir responsabilidades ofensivas. Em sentido contrário, o Benfica procura aproveitar o fator casa para conquistar o bicampeonato, algo que não consegue desde 2008. No entanto, se há algo que esta final ensinou, é que nenhum favoritismo resiste ao apito inicial.
Quatro jogos depois, tudo continua rigorosamente em aberto. Os números confirmam-no, os treinadores admitem-no e os próprios jogos demonstraram-no.
Agora já não existem segredos. Existe apenas um último dérbi.
Quarenta minutos para decidir uma época. Quarenta minutos para escrever mais um capítulo da maior rivalidade do futsal português.
E, quando a buzina final soar no Pavilhão Fidelidade, já não haverá espaço para estatísticas, modelos táticos ou projeções.
Haverá apenas um campeão.
Antes de terminar esta época, deixo uma palavra de profundo agradecimento à Zona Técnica e a todos os que acompanharam estas antevisões semana após semana. Foi um privilégio partilhar convosco a paixão pelo futsal, analisando o jogo para lá do resultado. O vosso apoio, as mensagens e o interesse demonstrado foram a maior motivação para continuar a escrever. Obrigado por terem feito parte desta viagem. Até à próxima época.
Viva, o Futsal.
Antevisão de António Aires do Jogo 5 da Liga Placard que vai decidir o campeão