Pauleta despede-se do Sporting CP após sete temporadas: "Fui muito feliz aqui" e "consegui conquistar tudo"
Pauleta, o ala esquerdino de 32 anos, está oficialmente de saída do Sporting CP após sete temporadas ao serviço do clube da capital. Em entrevista partilhada em duas partes pelos meios oficiais do Sporting Clube de Portugal, publicada a 4 de julho de 2026, o futsalista fez um balanço absolutamente sentido do seu percurso alvinegro, dos títulos, das amizades e do papel decisivo de Nuno Dias na construção da dinâmica vencedora dos leões. Uma despedida sentida, com 17 títulos, 268 jogos e 125 golos.
Ao ser questionado sobre as impressões e sentimentos que lhe atravessam a mente no momento da despedida do clube que representou ao longo de sete temporadas, Pauleta foi direto: "O primeiro sentimento é logo de saudades, porque vou sentir saudades disto. Foram sete anos cá e fui muito feliz aqui". E quando lhe perguntaram do que vai sentir mais falta, foi imediato: "Vou sentir muitas saudades do balneário e dos meus colegas de equipa. Sempre fomos grandes amigos e isso é o que a gente leva de tudo isto".
Sobre a possibilidade de manter as ligações apesar da saída, foi tranquilizador: "Não, porque certamente vamos continuar a falar uns com os outros, mesmo que já não como colegas de equipa, mas vamos continuar amigos". Sobre as grandes amizades que leva de todos estes anos, Pauleta foi generoso: "Levo grandes amigos. O Pany [Varela], o Zicky, o Erick [Mendonça], o Merlim também… Praticamente toda a gente. Os Paçós, com quem discuto muito nos treinos (risos). Vão faltar-me sempre algumas. Levo o Wesley, o Valério, que só conheci este ano e é uma grande pessoa. Levo muitas pessoas daqui".
Sobre a passagem do tempo em sete temporadas, o ala não conseguiu esconder o espanto: "Sim, passou muito rápido. Fogo! Cheguei aqui com 25 anos e, agora, saio com 32, passou muito rápido. Durante [o percurso] não se pensa muito nisso, mas passou muito rápido". Sobre o significado global desta longa passagem pelos leões, disse: *"Fez-me crescer como homem, também como atleta. Tem um significado muito grande, porque sete épocas não são sete dias"*.
Falando sobre a época de despedida 2025/2026, marcada pela conquista da Supertaça, pela vitória na UEFA Futsal Champions League mas também pela derrota na final da Liga Placard, Pauleta admitiu sair com sabor agridoce: "Apesar de tudo, saio feliz. Conseguimos este ano a Liga dos Campeões, que foi sempre um grande objetivo desde que cheguei. Já tínhamos tentado em anos anteriores, ficámos lá perto e este ano voltámos a conseguir. É um feito muito grande. O Campeonato também é muito importante, é o último título que fica e que toda a gente se lembra, mas não conseguimos. Fomos até ao último jogo e tentámos sempre com tudo, mas saio feliz". Sobre a Champions confessou: "Senti que desta vez fui mais importante".
Ao ser questionado se faltou apenas isso para uma despedida ideal, respondeu: *"O Campeonato e as Taças também, porque aqui entra-se sempre para ganhar tudo"*. E sobre o momento pessoal mais difícil da despedida, apontou o último jogo no João Rocha: "[Suspira] Quando ganhámos o segundo jogo já sabia que ia ter mais tempo, mas o último no João Rocha custou-me bastante… Nesse dia tínhamos treinado de manhã e pensei nisso: vai ser o meu último jogo cá, espero ganhar para ir a quinto jogo, mas vou sentir mesmo saudades disto e dos adeptos. Apoiam-nos muito e já conhecemos os lugares [na bancada] de cada pessoa que está lá sempre. Apoiaram-nos até ao último jogo".
Na segunda parte da entrevista, Pauleta olhou para trás com a perspectiva do domínio nacional dos leões e assumiu que só vai perceber o significado de tudo quando sair: "Tenho noção disso, mas acho que vou ter uma noção melhor quando sair. Já falei sobre isso com jogadores que saíram daqui e dizem-me isso: 'só vais dar valor mesmo quando saíres'. Enquanto estamos aqui e ganhamos podemos sentir que é 'mais uma', entre aspas, ficamos habituados, mas acho que só ao sair é que vou ter noção de tudo. Já parei para pensar nisso, claro, até porque quando vim para cá olhava para o Sporting CP como uma equipa muito forte, que ganhava sempre. Agora, eu já ganhei aqui e, por isso, quando sair é que vou dar valor de verdade a todas as conquistas".
Relativamente à sua chegada ao clube em 2019, então como uma das grandes revelações do Campeonato e vindo da AD Fundão, o ala recordou as expectativas iniciais: "Cheguei para ser mais um a tentar ajudar. Sabia que não ia ser fácil, porque havia aqui alguns dos melhores jogadores do mundo, mas também sabia das minhas qualidades. Além disso, os jogadores que faziam parte do 'núcleo duro' ajudaram-me a integrar-me da melhor forma". Agora, o balanço é claro: "Foram cumpridas, acho que sim. Consegui conquistar tudo aqui, no Sporting CP, por isso fui bem-sucedido. E não foi só uma vez, foram duas ou mais, nalguns casos".
Sobre a mentalidade do Sporting CP em 2019/2020, então acabado de perder o Tetracampeonato para o SL Benfica, Pauleta foi claro: "A mentalidade era ganhar. Como disse várias vezes ao longo dos anos, estamos aqui para ganhar tudo, seja qual for a competição ou o jogo. Os jogadores e os treinadores deixaram isso bem claro logo no início". E sobre o salto mental vindo da AD Fundão: "Acho que foi fácil, porque todos os jogadores jogam para ganhar, mas aqui é mais fácil fazê-lo. Eu, por exemplo, nunca tinha ganho nenhum troféu e lembro-me que ganhámos logo a Supertaça [2019]".
Sobre como se mantêm os níveis de ambição e consistência que levaram a um Tetracampeonato inédito no futsal nacional e a duas Champions, Pauleta apontou o dedo ao treinador Nuno Dias: "É nos treinos, e o [Nuno] Dias é o primeiro responsável, porque não deixa nenhum jogador descansado. Podíamos ter ganho alguma coisa, mas, logo no treino a seguir, a primeira reunião com a equipa técnica é assim: 'Já passou, é passado e temos já outro jogo para ganhar'. Temos essa pressão, mas é uma pressão boa e da que gostamos. Fui sempre habituado a isto".
Sobre a distinção de melhor jogador das finais em 2022/2023, ano do Tetracampeonato, Pauleta confessou com humor: "[Pára para pensar] Talvez, sim, fui o melhor jogador das finais. [Essa distinção] Está lá em casa num armário (risos). Mas todas as conquistas são importantes, para mim. Festejar todos juntos, em equipa, é o que levo".
Sobre a transformação pessoal ao longo dos sete anos, Pauleta foi claro: "Claro que sim. Cheguei aqui como se fosse uma criança e saio um homem. Melhorei tacticamente, aprendi muito, chorei, sorri… Saio totalmente diferente". E sobre a sua característica velocidade em quadra, admitiu que Nuno Dias sempre o incentivou a mais: "Queria mais, mais, sempre. Com o Dias é sempre mais, mais, mais. Incentivou-me sempre a ir para a frente".
Sobre a importância do Sporting CP na sua carreira, com passagem também pela Seleção Nacional (com quem foi Campeão do Mundo em 2021 e Campeão da Europa em 2022), o ala foi grato: "Foi muito graças ao Sporting CP que me tornei o jogador que sou. Mais uma vez, muito graças à equipa técnica, porque sem eles e sem jogar não iria à selecção. Por isso, foi também graças a eles que consegui chegar a esses títulos por Portugal".
E sobre trabalhar diariamente às ordens de Nuno Dias, o ala foi hilariante mas emotivo: "Ele [Nuno Dias] diz que chamarem-lhe chato é um elogio. É a pessoa mais chata do mundo, mas isso é bom, porque nunca nos deixa relaxados. É um ponto fulcral nas nossas conquistas. Esse trabalho diário ajudou-nos bastante e acho que eles vão ser eternos aqui. A equipa vai continuar a ganhar, porque eles são muito exigentes".
Sobre os números impressionantes de sete temporadas, 17 títulos, 268 jogos e 125 golos marcados, o ala confessou não estar totalmente satisfeito: "Eu queria mais, claro, nunca podemos ficar satisfeitos com o que temos. Mas saio feliz com esses números, muito contente".
Ao ser questionado sobre como gostaria de ser lembrado daqui a muitos anos, Pauleta apontou o ser humano acima do jogador: "Uma pessoa alegre, o resto é o resto. Dos títulos o Museu Sporting fala por si. Fora da quadra tentei falar sempre, com todo o respeito, com as pessoas que me abordassem. Acho que isso também é importante e que levo. Mais tarde, as pessoas vão falar dos títulos, mas acho que o que fica também é a pessoa que fomos".
Por fim, uma mensagem aos Sportinguistas e a agradecimentos especiais: "Continuem a apoiar o Sporting CP, porque aqui está-se sempre mais perto de ganhar. E gostava de deixar, ainda, uma mensagem a mais três pessoas: Nuno Dias, 'Casca' [alcunha do adjunto Paulo Luís] e também ao Filipe [Rodrigues]. Agradeço-lhes do fundo do coração as pessoas que foram para mim, por como me ajudaram a ser a pessoa e o jogador em que me tornei. Um muito obrigado a eles, e ao Rodrigo [Pais de Almeida] também, porque antes foi meu treinador e deixava-me sair [dos treinos] para ir trabalhar à noite (risos). E ajudou-me, também, quando cheguei ao Sporting CP, por isso muito obrigado".
Encerra-se assim um dos ciclos mais felizes e produtivos da carreira do ala esquerdino. Pauleta despede-se do Sporting CP com um palmarés absolutamente notável de troféus nacionais e internacionais.