Revolução arbitral no futsal espanhol para 2026/27, RFEF publica Circular n.º 9 com profundas alterações às regras
O futsal espanhol prepara se para viver uma profunda revolução arbitral na temporada 2026/2027. A RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol) publicou a Circular n.º 9 do CTAFS (Comité Técnico de Árbitros de Futsal), que estabelece as novas Regras de Jogo, os critérios arbitrais e um conjunto de medidas destinadas a dinamizar a modalidade no país vizinho.
As alterações, preparadas pelo presidente do Comité Nacional de Árbitros de Futsal (CTNAFS), Álvaro Cid Bragado, e pelo seu diretor técnico, Israel Martínez, são numerosas e algumas modificam aspetos importantes do jogo. Vamos a elas.
Modificações nas regras:
Restrição no pontapé de baliza, o guarda redes não poderá enviar diretamente a bola para além da linha do meio campo sem que antes esta tenha sido tocada por outro jogador ou tenha batido na sua própria metade. Se o fizer, marcação de livre indireto desde o ponto onde a bola cruzou o meio campo. Não haverá vantagem.
Regra que Espanha não vai aplicar, mas que a Itália sim, a proibição de regressar voluntariamente ao próprio campo uma vez iniciado o ataque em campo contrário.
Os protestos do banco pesam no marcador de faltas, os cartões amarelos ou vermelhos mostrados por protestos a suplentes ou membros do cuerpo técnico passarão a contar como falta acumulável para a equipa. Consideram se protestos os insultos, faltas de respeito, gestos ou até mesmo a desobediência manifesta a uma indicação arbitral.
Um detalhe importante, se uma equipa tiver quatro faltas e receber dois cartões por protestos, passará a ter seis acumuladas, mas não será automaticamente marcado um livre sem barreira.
Os penáltis deixam de contar como falta acumulável, uma infração sancionada com penálti não será registada como falta acumulada.
Mais ações revisáveis com apoio de vídeo, os treinadores poderão solicitar revisão a partir da quinta falta acumulável (tanto se não foi assinalada como se consideram que foi concedida erroneamente) e de um segundo cartão amarelo mal mostrado que provoque expulsão. Não poderá, contudo, ser pedida revisão para reclamar um segundo amarelo que o árbitro não tenha mostrado.
Medidas para dinamizar o jogo:
Um único desconto de tempo por equipa e por jogo, que poderá ser utilizado em qualquer das duas partes
Não haverá descontos de tempo durante os prolongamentos
O intervalo reduz se para oito minutos, com contagem decrescente visível no marcador
Revisões de vídeo mais rápidas, com um novo procedimento para reduzir interrupções
Nos jogos com terceiro árbitro, os cartões passarão a ser comunicados por intercomunicador, eliminando se a sinalização habitual para a mesa
Diálogo sim, mas ágil, a comunicação entre árbitros, jogadores e técnicos deverá ser frequente e respeitosa, mas com o jogo parado limitar se á ao tempo mínimo indispensável
Assistência médica, fora do campo, os jogadores lesionados (incluindo os guarda redes) que necessitem de assistência terão de ser atendidos fora do campo e não poderão regressar até o jogo ser reatado, salvo exceções previstas para determinadas lesões ou situações. Se o médico ou fisioterapeuta desobedecer à indicação arbitral, receberá cartão amarelo e a sua equipa somará uma falta acumulável.
Durante o desconto de tempo, todos são suplentes, desde a concessão até a bola voltar a rolar, todos os jogadores serão considerados suplentes. Consequência, um amarelo por protestar durante o desconto de tempo também representará falta acumulável.
Reduzem se drasticamente os avisos prévios, os árbitros deixam de fazer advertências que atrasem as reposições. Nas distâncias de pontapés de canto e linha lateral haverá um único aviso por equipa e por jogo. Os defensores deverão respeitar os cinco metros e, em caso de reincidência obstaculizando ou intercetando a reposição, serão advertidos.
Novo protocolo de limpeza de piso, apenas em Liga Prime Futsal e Primera División Iberdrola. Duas pessoas uniformizadas, com mopa e pano/toalha, poderão atuar com autonomia e rapidez quando detetarem uma zona escorregadia, sob supervisão do terceiro árbitro.
11 bolas disponíveis para acelerar as reposições, também exclusivamente em Liga Prime e Primera Iberdrola. Haverá dez bases com bolas em redor da pista, mais a bola em jogo. Adicionalmente, quatro apanha bolas só poderão repor as bolas nas bases e nunca entregá las diretamente aos jogadores.
Novos critérios arbitrais:
Mãos na bola, distinção entre voluntárias, antinaturais e acidentais. Como critério geral, um contacto acidental com mão ou braço não constitui infração.
Ocasião manifesta de golo, para a determinar avaliar se á se a baliza está protegida ou desprotegida, a relação entre atacantes e defensores ativos e, posteriormente, distância à baliza, direção da jogada e controlo ou possibilidade de recuperar a bola.
Bloqueios e uso dos braços, o bloqueio pode ser legal mesmo sobre um jogador sem bola, mas quem o realiza deverá permanecer quieto se existir contacto e permitir ao adversário evitá lo.
Tecnologia nos bancos, serão permitidos sistemas eletrónicos ou de comunicação para questões de rendimento e estatísticas. No entanto, utilizá los para protestar ou mostrar uma jogada em sinal de discordância implicará cartão amarelo sem advertência prévia, e expulsão em caso de persistência.
Uma profunda transformação da arbitragem para a temporada 2026/2027, com um objetivo evidente, reduzir interrupções, aumentar o tempo efetivo de jogo e conseguir uma aplicação mais homogénea das Regras.