Rúben Teixeira, "Sonho conquistar uma Champions pelo Sporting", em entrevista após conquista da Supertaça, ao Jornal Record
Rúben Teixeira, ala do Sporting CP de 22 anos, deu uma entrevista ao jornal Record, publicada esta quinta feira, na qual abordou a conquista da Supertaça de futsal frente ao SL Benfica, o regresso ao clube após três épocas de empréstimo ao CR Leões de Porto Salvo, os sonhos para a carreira, o crescimento como jogador e pessoa, o significado do número 10 e a evolução que quer imprimir ao seu jogo.
Um troféu com sabor especial:
O jovem ala sublinhou o enorme significado da conquista do primeiro troféu, com um pormenor único, o jogo foi disputado no Pavilhão de Desportos de Vila do Conde, onde antes tinha jogado pelas Caxinas. "Espero que seja apenas o primeiro de muitos pelo Sporting. Teve um significado ainda mais especial por ter sido no pavilhão de Vila do Conde, onde eu jogava pelas Caxinas. A primeira taça nunca se esquece", afirmou.
A magia do primeiro dérbi vencido:
"Ganhar um dérbi é sempre satisfatório, contra quem for, é um sentimento ainda maior. Contudo, jogar o meu primeiro dérbi com sabor à vitória e a valer um título é super especial para mim."
Motivação extra para o arranque da época:
"Começar a época com uma conquista é sempre bom. O míster Nuno Dias tinha falado que já há um ano o Sporting não conquistava um título em Portugal. O último tinha sido também a Supertaça. É sempre diferente começar a ganhar e dá motivação extra começar o campeonato já com um troféu na bagagem."
O objetivo maior, recuperar o cetro nacional:
"O objetivo é conquistar tudo o que falta no museu, os nossos últimos anos. Claro que a mais evidente é a Liga Placard, que o Sporting não conquista há dois anos. Mas em tudo o que o clube entra, tem de ser para ganhar."
Três anos de crescimento nos Leões de Porto Salvo:
O ala revelou sentir-se muito evoluído e reconheceu o apoio do clube ao longo dos anos, especialmente durante a lesão sofrida no primeiro ano. "Sinto-me mais crescido, mais homem e um jogador mais evoluído. O primeiro ano nos Leões não foi bem devido à lesão, mas o Sporting sempre esteve por trás. Sabia que seria tratado pelo departamento médico do Sporting. Fiquei demasiado contente e sabia que ia lutar e devolver ao Sporting. Trabalhei imenso para poder agradecer da melhor forma quando voltasse."
O que ficou desses três anos:
"Comecei a preparar-me melhor para os jogos. Tento sentir-me mais focado. Nos Leões não fazia sempre um trabalho no fim dos treinos. Finalizar, rematar com os dois pés, passe... coisas importantes no meu jogo. Olho para trás e foi uma grande ajuda, algo muito valioso, por exemplo, na minha parte técnica."
As principais armas:
"Acho que a capacidade de rematar com os dois pés e o um contra um são duas das melhores armas e nas quais estou mais evoluído."
Sonhos que o movem, Champions e Taça Intercontinental:
"Falta chegar lá, mas tenho dois sonhos, o maior deles é afirmar-me e ser reconhecido mundialmente como jogador ou atleta de elite. E o segundo é conquistar uma Liga dos Campeões pelo Sporting. O Sporting já leva três, mas gostava de fazer parte da quarta. É difícil, temos de trabalhar muito, mas está no nosso alcance. E há a Taça Intercontinental, primeira vez que o Sporting vai disputá-la. Não vai ser fácil, mas só conquista quem está presente, e em novembro, poderemos trazer para Portugal um troféu que ainda ninguém tem."
O número 10, um legado a honrar:
O jovem ala revelou a história curiosa por trás da escolha do número, que só aceitou depois de saber que o número originalmente pretendido (o 17) tinha sido atribuído a Erick. "O número que gostaria de usar foi ocupado por um senhor jogador, posso dizer assim, que é o Erick. O Miguel Faro (secretário técnico), quando me ligou, disse-me que tinha uma má notícia, o 17 iria para o Erick. No Barcelona ele usava-o e percebi que se voltasse podia escolhê-lo, mas eu já era algo em que ele estivesse a matutar. Quando o Miguel me disse que tinha o 10, percebi que era uma responsabilidade grande, mas aceitei o desafio. O Pauleta foi muito marcante no Sporting antes dele. O Déo foi o Déo. Quando vi o Déo pela primeira vez tinha 13 anos, talvez, pela televisão. Espero poder fazer o trabalho que eles fizeram com o número 10."
A paternidade e uma menina a caminho:
Rúben Teixeira foi pai pela primeira vez enquanto recuperava da rotura do ligamento cruzado anterior, tendo também sofrido uma cirurgia ao ombro. "Claramente, dei um passo em frente como homem desde que fui pai. São responsabilidades muito acrescidas. Tenho de dar o máximo para dar um futuro melhor aos meus filhos, e a caminho uma menina, e à minha mulher. Quando o meu filho nasceu eu tinha sido operado ao ombro dias antes e não conseguia pegar nele. Foi difícil, não conseguia ajudar muito à minha mulher e ela tinha de fazer tudo. Sabendo dos esforços que ela fez, ela foi uma guerreira e eu tive de recuperar o mais rapidamente possível para poder ajudar em tudo."
A origem do apelido "pisca-pisca":
Em resposta a uma pergunta do balneário lançada por Zicky Té, sobre qual o maior pesadelo no rinque do Bairro do Rebelde que originou o apelido, Rúben Teixeira desvendou. "O Zicky quer que eu diga que ele era o maior pesadelo, porque eu ia jogar ao bairro dele. Ele dizia que era o Merlim, mas o Merlim jogava a pivô, encarava, driblava e dizia que era o meu maior pesadelo. O 'pisca-pisca' era na altura, com os meus 14, 15 anos, precisar de usar óculos, mas não gostar. Estava sempre a piscar os olhos e foi por isso."
Uma obsessão para melhorar:
Ao responder a uma pergunta lançada por Nuno Dias, o ala confessou. "O míster Nuno Dias está sempre a dar-me na cabeça. O aspecto defensivo tenho de ser melhorado. Tenho trabalhado e vou melhorar. Quando estiver dois passos à frente, vou chegar e dizer ao míster 'nunca mais me vai chatear a cabeça sobre o assunto' (risos). Vai ser a minha obsessão."
Uma entrevista muito reveladora e profunda do jovem ala leonino, que se mostra motivado, maduro e ambicioso rumo aos exigentes desafios da nova temporada, com o objetivo claro de conquistar títulos ao serviço do Sporting CP e afirmar-se como um dos grandes nomes do futsal mundial.