Dois minutos para perder, dois minutos para renascer: A Malata chorou e riu na mesma noite
Há empates que sabem a derrota e há empates que sabem a conquista. O que A Malata viveu na segunda jornada da Liga Prime Futsal foi do segundo tipo, e por pouco não foi de outro ainda mais improvável. O Parrulo Ferrol venceu por 3-0, viu o Catgas Energía Santa Coloma virar o jogo para 3-5 em dez minutos de pesadelo e, quando tudo parecia consumado, arrancou dois golos nos derradeiros noventa segundos para fixar um 5-5 que ficará na memória de quem lá esteve. Do pranto ao alívio, com um golo anulado pelo meio e cinco segundos finais a pedir a heroica que não chegou a acontecer.
O arranque foi todo dos galegos. Com A Malata a apoiar os seus pela segunda semana consecutiva, O Parrulo entrou agressivo, a pressionar muito alto e a asfixiar os catalães, com Novoa revolucionado e Quelle a tentar uma volea. Os visitantes demoraram a encontrar o seu lugar no pavilhão e, quando chegaram, encontraram Caio César, que travou uma investida de Aniol. As ocasiões nasciam aos pares da ligação brasileira entre Brayan e Rikelme, sem golo mas com aviso. E foi quase o próprio guarda redes ferrolano a inaugurar o marcador na própria baliza, num ressalto de um remate de Aniol que bateu nele e acabou por sair.
Nem a intensidade nem o ritmo baixavam, só o marcador teimava em não se mexer. Até que, à passagem dos treze minutos, Malaguti avisou e, poucos segundos depois, certificou o 1-0. Voltou a aparecer a ligação canarinha, com Brayan de um lado e Rikelme do outro, enquanto Jhoy cortava em último recurso para evitar o golo de Niel·lo, isolado em corrida. O Santa Coloma ainda atirou ao poste por Aniol, mas quem estava em noite de pontaria era O Parrulo: volvidos três minutos, Rubén Orzáez fez o 2-0 e, já no minuto seguinte, Lucas Farias assinou o 3-0. Tempo morto visitante — e revitalizador. Pouco depois, Pol Pacheco reduziu para 3-1 e deixou o Santa Coloma vivo para o segundo tempo. Os de Gerard Casas não queriam estreitezas, mas nem Jhoy nem Yan voltaram a mexer no marcador antes do descanso.
Desses falhanços viria O Parrulo a lamentar-se. Na segunda parte, a equipa de Xavi Closas afinou a mira, endureceu a defesa e levou o jogo para onde queria — um duelo aparentemente mais louco no qual aos catalães saía quase tudo. À passagem dos 24 minutos, Víctor Ramos reduziu em corrida e, volvido um minuto, Víctor Pérez empatou com um remate ao ângulo: dois minutos de puro sofrimento ferrolano que apagaram três golos de vantagem. No minuto seguinte, Pol Pacheco bisou e completou a reviravolta (3-4) e, apesar dos gestos de Malaguti a pedir apoio à bancada, a dois minutos de distância foi Dylan Vargas a ampliar para 3-5. Ao Parrulo tinha-lhe fugido o duende: a baliza cuspia a bola a Novoa, Ferreyra disfarçava-se de Caio e as faltas não entravam.
Nem sequer entrou um golo de Yan que a bancada já cantava: após revisão de Vídeo Suporte, o árbitro não o concedeu, por a bola não ter transposto completamente a linha. Se o jogo se decidisse por pontos, os ferrolanos estariam à frente; enquanto a norma for esta, não. E as tentativas de O Parrulo iam sendo travadas pelo acumular das cinco faltas no seu marcador, com tudo o que isso implicava de risco a cada infração seguinte.
A baliza continuava a cuspir os remates ferrolanos, com Novoa outra vez vítima, mas ali estava o capitão. Em 5x4, Rubén Orzáez atirou com toda a raiva um "furolazo" que, a pouco mais de um minuto do fim, devolveu esperança aos seus (4-5). E a pedra preciosa acabou de ser lapidada por outro Novoa enraivecido: quando faltavam 41 segundos, o 5-5. Como no final de um jogo de basquetebol, as duas equipas esgotaram os tempos mortos, com Novoa a espremer os últimos segundos e quase a fazer a heroica. Cinco segundos por jogar, O Parrulo outra vez em 5x4 — mas a jogada não saiu.
O Santa Coloma não venceu, mas foi quem melhor leu o jogo: ajustou ao intervalo, endureceu defensivamente, reduziu o espaço aos brasileiros do Parrulo e transformou dez minutos de eficácia quase total num 3-5 que parecia definitivo. A remontada não nasceu de sorte, nasceu de decisões — e do tempo morto que mudou o final da primeira parte. Onde falhou foi na gestão dos últimos dois minutos: incapaz de fechar o jogo com a vantagem de dois golos, deixou-se apanhar pelo 5x4 adversário e ofereceu duas bolas que o Parrulo não desperdiçou. Do lado ferrolano, o pecado foi outro e é mais antigo: fez 3-0 e não fez o quarto, e no futsal uma vantagem que não se amplia é uma vantagem que se devolve. Competitivamente, o ponto sabe a pouco a quem venceu por três e a muito a quem perdia por dois a dois minutos do fim — mantém O Parrulo invicto no Torneo Apertura e dá ao Santa Coloma, que vinha de derrota na jornada inaugural, a certeza de que sabe jogar em desvantagem. A Malata, essa, saiu com a sensação de que o ponto não soube a caviar, mas soube a algo muito mais doce do que a derrota que se mascava.
Figura do Jogo
Rubén Orzáez (O Parrulo Ferrol). O capitão marcou o 2-0 na altura em que a equipa mandava e, sobretudo, assinou o 4-5 em 5x4, a pouco mais de um minuto do fim, no momento exato em que o jogo pedia alguém que assumisse a responsabilidade. Foi o remate dele que reabriu a porta que Novoa acabaria por deitar abaixo.
Foto - Parrulo