3ª jornada da Liga Placard com dérbi Sporting vs Benfica como cereja no topo do bolo. Antevisão de António Aires



A 3ª jornada chega com o campeonato a ganhar temperatura! Temos golos, surpresas, reviravoltas, equipas que começam a afirmar a sua identidade e outras que devem procurar rapidamente respostas para as primeiras dificuldades de um campeonato que se prevê competitivo e equilibrado. Nota de destaque, vai para o Portimonense. Se diante do Sporting podíamos achar que entre um misto de sorte e galhardia a derrota pela margem mínima podia ter sido casuística, o jogo diante do campeão nacional provou, que se mantiver esta bitola de desempenho e competitividade, vai deixar marcas na liga. Temos de igual modo, um Eléctrico que continua ligado à corrente, um Sporting de capacidade ofensiva impressionante, para além da desportiva do Fundão com uma enorme capacidade reactiva. Não bastava tudo isto, e temos já nesta jornada um confronto entre leão e a águia.

Vamos à análise dos jogos.

RIO AVE FC vs SC BRAGA

Os homens do mar, depois de um empate caseiro a 4-4 diante do Famalicão, deslocaram-se a Ponte de Sor e regressaram com uma derrota por 4-1. Dois jogos, oito golos sofridos e apenas um ponto conquistado. São números que contrastam com as ambições assumidas por Bruno Guimarães, que definiu o acesso ao play-off como objetivo primordial da temporada. Há que içar velas e ultrapassar este mar agitado e turbulento. A forma como os vila-condenses perderam diante do Eléctrico necessita de trabalho de casa na correcção dos erros individuais e colectivos. A questão passa, sobretudo, pela capacidade de a equipa encontrar equilíbrio entre as suas ambições ofensivas e a necessária segurança defensiva. Bebé, Miguel Ângelo e Rúben Freire oferecem experiência e qualidade, mas essa qualidade precisa de estar acompanhada por mecanismos colectivos consistentes.

Por sua vez, o Braga recuperou da derrota no Fundão. Uma reacção importante, embora tenha sido obrigado a recuperar de uma desvantagem. Luís Fernandes, com dois golos, foi uma das figuras do encontro, numa partida em que as bolas paradas tiveram um papel decisivo. Acredito que os guerreiros do Minho e o seu general Joel Rocha querem dar continuidade a este desempenho para manter a ambição de discutir os lugares cimeiros.

Chave do jogo: a eficácia e a coesão e organização defensiva. Quem for melhor vence.

FC FAMALICÃO vs ELÉCTRICO FC

O Famalicão recebe uma das equipas invencíveis no campeonato. Eléctrico soma duas vitórias, sete golos marcados e apenas dois sofridos. Jorge Monteiro tem, para já, motivos para estar satisfeito com os primeiros indicadores competitivos do seu projeto nesta nova época desportiva. A equipa de Ponte de Sor apresenta organização, pragmatismo e capacidade para explorar os momentos de desequilíbrio dos adversários. Na última jornada, Thales Alves bisou frente ao Rio Ave, Lucas Mestre voltou a marcar e Henrique Vicente continua a ser uma figura importante em todo o processo. A equipa alterna momentos de maior pressão com períodos de organização defensiva e sobretudo demonstrado eficácia na hora de atirar à baliza. Terá o Famalicão argumentos para contrariar a equipa de Ponte de Sôr? O 4-4 em Vila do Conde deu sinais positivos, mas a permeabilidade de oito golos sofridos, dos quais cinco num curto período antes do intervalo, expôs fragilidades. O Eléctrico tem sido muito competente a aproveitar erros.

Chave do jogo: a capacidade do Famalicão para encontrar estabilidade defensiva sem perder a irreverência ofensiva. O Eléctrico, a desejar manter-se no topo, tentando manter a consistência apresentada nas duas primeiras jornadas.

LEÕES DE PORTO SALVO vs PORTIMONENSE SC

O calendário, em teoria, foi "madrasto" com a equipa algarvia. Depois de perder por 1-0 no João Rocha e de conquistar um empate por 2-2 na recepção ao Benfica, os algarvios deslocam-se agora ao terreno dos Leões de Porto Salvo. É razão para afirmar que tem recebido um tratamento de choque no regresso à Liga Placard. A equipa apresentou excelentes indicações nas duas primeiras jornadas. Frente ao Sporting, demonstrou organização, compromisso defensivo e capacidade para manter o encontro em aberto. E por sua vez, diante do Benfica, encontrou-se a perder por 0-2 nos primeiros minutos, mas não desistiu. Protagonizaram a recuperação, onde destaco o primeiro golo, nascido de um esquemático, lançamento lateral, bem executado. Curiosamente, na segunda jornada tivemos muitos golos de "bola parada" com a particularidade de alguns serem finalizados de cabeça. No fundo, a equipa de José Santos e Paulinho Rocha criaram oportunidades para serem felizes! Apesar da forma dramática como acabou o encontro em Portimão. Com 8 segundos para o termo do jogo, a equipa que tinha quatro faltas e neste espaço de tempo cometeu mais duas, concedeu ao campeão nacional um pontapé de livre directo sem barreira, não concretizado por Arthur. Recordo que os algarvios também não concretizaram uma penalidade.

Do outro lado, Miguel Velez conquistou a primeira na Venda Nova. O encontro não foi propriamente tranquilo. Os Leões chegaram ao intervalo empatados e só conseguiram desequilibrar a partida na segunda parte, com três golos num curto período, com destaque para Francisco Oliveira, que bisou, e para o regresso de Ré às opções. O capitão está de volta. É o jogador com mais "juventude" acumulada na liga, prestes a somar 41 primaveras. Este encontro permitirá perceber melhor a evolução das duas equipas. O Portimonense chega motivado pela competitividade apresentada nos primeiros jogos. Os Leões terão de demonstrar maior consistência para confirmar a ambição de chegar ao play-off.

Chave do jogo: a capacidade dos Leões para desmontar a organização defensiva algarvia. Como será interessante aferir e perceber a motivação do Portimonense e a sua reacção perante um adversário que também tem capacidade para lhe disputar a iniciativa e que poderá apresentar diferentes soluções ofensivas das vivenciadas nas duas primeiras jornadas.

SPORTING CP vs SL BENFICA

O grande duelo da jornada. O dérbi entre Sporting e Benfica regressa, desta vez para a fase regular da Liga Placard. Há um dado curioso no histórico dos 21 encontros entre os atuais treinadores: o Benfica marcou primeiro em 12 ocasiões e o Sporting em nove. No entanto, nas contas globais desse período, a formação leonina regista nove triunfos, contra sete dos encarnados e cinco empates. A vantagem inicial, portanto, não tem sido garantia de vitória. Nas 21 partidas entre Cassiano Klein e Nuno Dias, regista-se que 342 minutos com o marcador esteve empatado, em 298 minutos a vantagem foi leonina e 240 minutos a vantagem foi encarnada. Eu acredito mesmo assim que cada jogo tem a sua história. As duas equipas já se encontraram esta temporada, na Supertaça, com vitória leonina por 3-2 após prolongamento. No domingo, o Pavilhão João Rocha volta a receber um confronto carregado de rivalidade, qualidade individual e ambição.

O Sporting chega na liderança depois de uma sucessão de resultados expressivos. Após a vitória tangencial diante do Portimonense, os leões responderam com um 7-0 frente ao Fundão, num encontro antecipado da sétima jornada, e uma goleada por 8-2 em Famalicão. São 16 golos marcados e apenas dois sofridos em três jogos do campeonato, e com Filipe Valério na liderança da lista dos melhores marcadores. A equipa de Nuno Dias parece ter recuperado a dinâmica ofensiva que esteve menos evidente no encontro inaugural. A goleada em Famalicão foi particularmente esclarecedora: depois de sofrer o primeiro golo, o Sporting transformou uma desvantagem numa vantagem de 5-1 ainda antes do intervalo. Felipe Valério, com três golos, Wesley, que bisou, e a capacidade de Tomás Paçó para aparecer em zonas de finalização confirmaram a variedade de soluções da equipa leonina.

Mas há mais do que números. O Sporting continua a apresentar uma forte identidade na sua matriz 3:1, agora complementada por momentos de maior mobilidade no 4:0. Rotações ofensivas e uma utilização extremamente competente dos bloqueios directos e indirectos.

O Benfica, por sua vez, chega com quatro pontos em dois jogos e depois de uma visita a Portimão que deixou motivos para reflexão, porque o jogo inaugural do campeonato já tinha dado alguns sinais de alerta. A questão é perceber como o campeão nacional responderá a estes episódios, num jogo com uma exigência completamente diferente. Não tenho dúvida que o farão de forma competente. O Benfica continua a dispor de enorme qualidade individual. Arthur, Pany Varela, Afonso Jesus, Anderson Fortes — que se estreou a marcar pelo campeão nacional — e Lúcio Rocha, caso esteja recuperado do problema físico que o afastou da jornada anterior, constituem soluções capazes de desequilibrar qualquer organização defensiva, e neste caso do leão. A minha percepção, em especial fazendo apelo à veia de treinador, é que normalmente vence quem consegue controlar os espaços, interpretar os momentos de pressão, proteger as zonas de finalização, ter eficácia nos instantes decisivos e, não menos importante, o controlo e gestão emocional. Outro facto com peso, porque é um jogo em que todos os pormenores contam: a importância das bolas paradas. Depois se jogamos com guarda-redes subido, com ou sem pivô, em 3:1 ou 4:0 — são variáveis constantes durante os 40 minutos.

Pequenos detalhes podem decidir uma partida desta dimensão.

Chave do jogo: o controlo dos espaços interiores e das transições após perda de bola. Será particularmente interessante observar como o Benfica procura contrariar a mobilidade ofensiva do Sporting e de que forma a equipa de Nuno Dias tenta condicionar a primeira fase de construção encarnada.

SCU TORREENSE vs FERREIRA DO ZÊZERE

Chegamos a um confronto entre duas equipas que ainda procuram a primeira vitória no campeonato. O Torreense iniciou a época com duas derrotas, primeiro diante do Eléctrico e depois em Braga. Dois golos marcados e sete sofridos são o retrato estatístico de uma equipa que continua a procurar estabilidade competitiva. Naná tem um trabalho exigente pela frente. Na visita ao Braga, o Torreense entrou bem, colocou-se em vantagem por Tintim e conseguiu criar dificuldades aos arsenalistas. Mas voltou a sofrer golos em momentos importantes em organização defensiva, não conseguindo contrariar a eficácia adversária.

O Ferreira do Zêzere também chega sem vencer, depois de um empate em Porto Salvo e de uma derrota caseira por 4-1 frente ao Fundão. A equipa de Cristiano Coelho apresentou uma primeira parte de qualidade, pressionou alto, condicionou a construção adversária e chegou à vantagem por Djaelson. No entanto, esta lucidez e "arreganho competitivo" desmoronou-se na segunda parte, o Fundão empatou, passou para a frente e aproveitou a expulsão de Daniel Sodré e a posterior utilização do guarda-redes avançado para ampliar o marcador. Cristiano Coelho terá, a exemplo de Naná, muito trabalho para manter capacidade organizacional em processo ofensivo e defensivo da equipa. Em Torres Vedras teremos duas equipas à procura de respostas. O Torreense precisa de transformar potencial individual em competência colectiva. O Ferreira terá de demonstrar que consegue prolongar durante os 40 minutos a qualidade apresentada na primeira parte diante do Fundão.

Chave do jogo: a gestão dos momentos de pressão e a capacidade de resposta após sofrer um golo. O Torreense terá de encontrar soluções para contrariar a organização do Ferreira, enquanto os visitantes precisarão de evitar as quebras de concentração que marcaram o encontro anterior.

AD FUNDÃO vs UP VENDA NOVA

A terceira jornada termina na serra, com um Fundão moralizado pela vitória em Ferreira do Zêzere a receber uma UP Venda Nova que continua à procura dos primeiros pontos na Liga Placard.

Nuno Couto viu a sua equipa viver praticamente todas as emoções possíveis em pouco mais de uma semana. Primeiro, uma vitória no último lance frente ao Braga. Depois, uma pesada derrota por 7-0 no João Rocha. Finalmente, uma excelente reacção em Ferreira do Zêzere, com triunfo por 4-1. Na verdade, uma montanha russa. A última vitória merece especial atenção. O Fundão teve muitas dificuldades durante a primeira parte, sofreu primeiro e foi obrigado a encontrar soluções para contrariar a pressão adversária.

Depois do intervalo, a equipa surgiu transformada. Destaque para Peléh, que marcou um excelente golo para empatar, Uesler completou a reviravolta numa bola parada e num excelente aproveitamento na expulsão adversária, bem como defensivamente foram eficazes a defender o 5x4 para ampliar a vantagem.

A UP Venda Nova perdeu os dois primeiros jogos, mas deixou sinais interessantes. Na Luz, conseguiu resistir durante largos períodos à superioridade do Benfica. Na recepção aos Leões de Porto Salvo, marcou primeiro, chegou ao intervalo empatada e manteve o encontro equilibrado durante aproximadamente 30 minutos. André Galvão e Rafael Freire, entre outros, já demonstraram capacidade para aparecer em momentos importantes, mas a equipa de Alcides Lopes precisa de encontrar maior consistência ao longo de toda a partida. A deslocação ao Fundão representará um novo teste à capacidade competitiva dos estreantes, perante um adversário que atravessa um bom momento emocional.

Chave do jogo: a paciência ofensiva do Fundão perante a organização defensiva da UPVN. Se os visitantes conseguirem manter o jogo equilibrado durante largos períodos, poderão criar dificuldades e sonhar; caso contrário, a cereja pode ser um fruto mais doce.

Concluindo: a terceira jornada oferece-nos um futsal tão apaixonante.

Em Vila do Conde, o Rio Ave procura recuperar confiança perante um Braga que quer dar continuidade à reacção demonstrada na última ronda. Em Famalicão, o Eléctrico terá de confirmar o excelente arranque diante de uma equipa necessitada de estabilidade defensiva. Porto Salvo recebe um Portimonense que tem surpreendido pela sua competitividade e que, depois de enfrentar Sporting e Benfica, procura agora transformar boas exibições em vitórias. Torreense e Ferreira do Zêzere procuram a primeira vitória, enquanto o Fundão recebe uma UP Venda Nova determinada a conquistar os primeiros pontos da sua história na Liga Placard.

Temos cereja no topo do bolo nesta jornada: o dérbi nº 162 entre Sporting e Benfica. Um confronto que promete voltar a demonstrar a dimensão do futsal português.

Está tudo preparado para mais um fim de semana.

Viva o futsal!


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