Luís Conceição aponta Espanha como "adversária ideal" para testar Portugal rumo à Ronda de Elite do Euro 2027
Há jogos que valem muito mais do que o resultado. O Portugal vs Espanha desta sexta-feira, às 20h00, na FPF Arena Portugal, é um deles. Não vale pontos, nem título, nem apuramento. Vale termómetro competitivo, rodagem táctica e confronto directo com a referência europeia. É o último teste da Equipa das Quinas antes de entrar na Ronda de Elite de acesso ao Europeu 2027, e Luís Conceição não podia desejar adversário mais exigente.
Seis meses depois, o reencontro:
As vice-campeãs do Mundo regressam à competição depois de uma pausa de seis meses sem estágios da Seleção. Tempo mais do que suficiente para enferrujar automatismos, diluir rotinas colectivas e exigir uma reaproximação cuidada aos processos de jogo. Luís Conceição sabe-o, e aproveitou os primeiros dias de trabalho na Cidade do Futebol essencialmente para relembrar ideias e começar a adicionar camadas à estrutura competitiva.
"Passaram seis meses desde o último estágio da Seleção Nacional. Seis meses é muito tempo", reconheceu o seleccionador em declarações ao Canal 11 e à fpf.pt. "Os nossos primeiros dias de trabalho na Cidade do Futebol são essencialmente para relembrar processos e agora queremos acrescentar mais qualquer coisa. Foi muito tempo sem estarmos juntas, então olhamos sobretudo para nós e para aquilo que podemos mudar. O nosso foco está no nosso próprio treino, na nossa mentalidade e na constância diária dos nossos processos."
Uma leitura madura e humilde — primeiro olhar para dentro, só depois medir forças com o exterior.
Porquê Espanha? Porque é o espelho que não mente:
A escolha da campeã europeia em título como sparring não é por acaso. Luís Conceição quer confrontar as suas jogadoras com o mais alto nível, forçar a equipa a sair da zona de conforto e expor-se, nesta fase, a adversidades que simulem o que se vai passar em Oliveira de Azeméis.
"A Espanha é a adversária ideal para nos testar. Estes jogos de alta exigência e adversidade ajudam-nos bastante." E foi mais longe, sinalizando o projecto de preparação de longo prazo até ao Europeu: "Todos os meses, queremos ter estágios e jogos de preparação frente às melhores selecções do mundo, Brasil, Itália e Espanha novamente. Só defrontando as melhores conseguiremos crescer."
Esta frase diz muito. Diz que o caminho é ambicioso e que o seleccionador quer que a sua equipa viva, nos próximos meses, jogos de dor que a tornem mais forte quando o troféu estiver em jogo.
A seriedade com que se olha para a Ronda de Elite:
A Ronda de Elite começa a 8 de outubro, no Pavilhão Dr. Salvador Machado, em Oliveira de Azeméis, com Portugal a defrontar os Países Baixos. Seguem-se a Chéquia (9 de outubro) e a Finlândia (11 de outubro). Três jogos em quatro dias, numa maratona física e emocional que exige lucidez táctica, profundidade de plantel e frieza nos momentos decisivos.
Luís Conceição faz, no entanto, questão de não cair em facilitismos. Avisa, com um dedo erguido, para a Finlândia:
"Os Países Baixos são selecções de um nível inferior ao de Portugal, mas estão a melhorar e a fazer o seu trabalho. A Finlândia tem vindo a crescer muito. No ano passado, fizemos dois jogos de preparação com as finlandesas e elas criaram muitas dificuldades. Ganhámos os dois jogos, mas foram jogos muito difíceis. É fundamental encarar com muita seriedade a qualificação que aí vem."
Uma declaração que revela algo que no futsal muitas vezes se esquece, o diferencial para equipas em crescimento tende a estreitar-se com velocidade e nenhum resultado se dá como garantido antes do apito final.
O que está em jogo:
A fase final do Campeonato da Europa Feminino de Futsal 2027 disputa-se na Croácia, em março. Apura-se o 1º classificado de cada grupo e os melhores 2ºs classificados. Para a Equipa das Quinas, qualquer coisa que não seja carimbar a presença entre as melhores da Europa seria um resultado abaixo das expectativas de uma selecção que ainda esta temporada se apresentou como vice-campeã do Mundo.
Chave da preparação:
A capacidade do grupo para, em tão pouco tempo, recuperar automatismos e adicionar frescura competitiva. O jogo com a Espanha servirá como radiografia — expõe o que está consolidado e o que ainda precisa de ajuste.
Foto - FPF.PT