Ricardinho ao JN "Gostava de convencer o F. C. Porto a apostar no futsal"
JN - Qual a sensação de voltar a ser eleito o melhor jogador do Mundo?
É voltar a tocar no céu, pois provei que a distinção de 2010 não foi por acaso. Ao vir para Espanha, sabia que estaria mais próximo de o conseguir, em virtude de jogar na melhor liga do mundo, ganhando maior visibilidade. Mostrei que posso e consigo ser o melhor entre os melhores.
JN - Ao contrário do que acontece no futebol, a FIFA não distingue o melhor jogador do Mundo. Não é desmotivante para o universo do futsal?
É horrível, tal como o futsal não ser olímpico. Por tudo o que a modalidade cresceu e evoluiu, já merecia mais respeito por parte da FIFA.
JN - Considera-se o Cristiano Ronaldo do futsal?
Por todos os motivos, fico feliz com a comparação, mas sou, simplesmente, o Ricardinho do futsal. Foi para ter este reconhecimento que sempre trabalhei e continuarei a trabalhar arduamente.
JN - Já está na história da modalidade. O que o move para continuar no topo?
Tenho o sonho de voltar a vencer a UEFA Cup e vou consegui-lo. Neste momento, não é o dinheiro que me move, mas o reconhecimento. E, por isso, tenho de conquistar títulos. Eles são o meu alimento.
JN - Assinar pelo Inter Movistar, que não disputava finais há cinco anos, não foi uma decisão arriscada?
Tinha outras propostas, mas senti que deveria provar a mim mesmo que podia ganhar no Inter. Fizemos uma grande época e as conquistas da Copa e Liga de Espanha ajudaram, e muito, a ser eleito o melhor do Mundo.
JN - Em Espanha, é comum dizer-se que os adversários tremem quando têm o Ricardinho pela frente...
É o melhor reconhecimento que posso ter por parte dos adversários. É reconfortante entrar em campo e ouvir treinadores e jogadores a dizerem que sou o melhor do Mundo. Sinto um orgulho enorme, mas a responsabilidade aumenta diariamente.
JN - Por que motivo ainda não aceitou a proposta do Inter Movistar para renovar por cinco temporadas?
Primeiro, quero conquistar os dois títulos que ainda estamos a disputar. Só decidirei no final da época, mas tenho recebido muitos incentivos para continuar em Espanha, inclusivamente de agentes da Liga espanhola. O carinho que recebo aqui é reconfortante. Na terça-feira, após ganharmos ao Barcelona no ‘Palau’ [pavilhão do Barça], tive uma hora a dar autógrafos e a tirar fotos com os adeptos adversários. Para mim, isto é espetacular.
JN - Regressar a Portugal, nos próximos anos, está fora de hipótese?
Gostava de jogar em Itália e, sobretudo, no Brasil, para provar que posso vencer em qualquer país. Infelizmente, o campeonato português tem perdido muita competitividade. É disputado somente por Sporting e Benfica. O Braga tem qualidade, mas falta-lhe aquele clique para deixar de ser terceiro. Fazem falta equipas como o Freixieiro, a Fundação e o Instituto.
JN - A presença do F. C. Porto seria essencial para o crescimento e desenvolvimento do futsal português?
Sem dúvida. Gostava de convencer o F. C. Porto a apostar no futsal. Tenho pena de não ter força para chegar junto dos seus responsáveis e mostrar-lhes como poderiam ajudar este desporto. Era o melhor que poderia acontecer em Portugal. E até acho que iria ajudar a modalidade à escala mundial. Em tudo o que o F. C. Porto entra é para ganhar e isso obrigaria as restantes equipas a investir mais. Só traria benefícios.
JN - Em Portugal, é possível ver o Ricardinho a jogar em outros clubes que não o Benfica?
Ficaria feliz se um dia pudesse voltar a dar alegrias aos adeptos do Benfica. É o clube por que torço, mas não vou alimentar sonhos que podem não se concretizar. Vejo-me a jogar em qualquer clube no Mundo, desde que reúna condições para o sucesso.