Nuno Lázaro já domina o árabe, mas não esquece Portugal
Nuno Lázaro, embora tenha renovado contrato por mais duas temporadas, não esconde o desejo de regressar a Portugal:
«Tem sido uma experiência muito agradável. Por cá vou continuar, mas sim, se recebesse uma proposta de Portugal, mesmo com salário inferior, regressava ao meu País.»
Depois de conquistar a Taça, o treinador já prepara a próxima temporada, tendo recebido carta branca da Direção para escolher o plantel:
«É uma decisão que só aumenta a minha responsabilidade, mas com a qual fico muito satisfeito, pois é sinal da confiança que depositam no meu trabalho. O objetivo passa por conquistar o título para depois podermos atacar a Asian Cup, o equivalente à Liga dos Campeões.»
Escola de futsal na próxima época
Além de comandar a equipa sénior, Nuno Lázaro vai ver a ideia de uma escola de futsal tornar-se realidade já na próxima temporada:
«É uma ambição minha que tinha muita vontade de pôr em prática. Por aqui não existe formação alguma. O clube aceitou o meu projeto e vamos avançar.»
Claro que o principal obstáculo tem sido a língua, mas é um aspeto que Nuno Lázaro já contornou:
«O inglês deles é péssimo e tive mesmo de aprender árabe. De início era autodidata, mas entretanto frequento um curso intensivo, mesmo, mesmo intensivo [risos]. É claro que tive sempre um tradutor à disposição, mas o tempo que se perde e as palavras que não chegam ao destinatário tal como queria levaram-me a aprender árabe e agora é em árabe que falo com os jogadores.»
Só comunica em português com «os brasileiros do plantel.
Bacalhau chega pelo correio
A comida? «Aqui é tudo picante, é impressionante. Vou-me safando no McDonald´s (que é mais picante do que na Europa) e na Pizza Hut [risos]. Compro carne e cozinho em casa e a minha mãe de vez em quando manda-me uns três ou quatro quilos de bacalhau pelo correio, para matar saudades», conta.
Saudades a valer tem do presunto, da sua «querida cidade» de Lamego. «O presunto não pode entrar no país... Nem o vinho! Vou comendo alguns queijos, mas nada se compara aos produtos da nossa terra», desabafa.
Centros comerciais trocados pelo deserto
Treinos de manhã e à tarde fazem parte das rotinas diárias de Nuno Lázaro que, nos tempos livres, não hesita em trocar os inúmeros centros comerciais de Doha pelo deserto:
«Os árabes são um povo frio, de poucos afetos, mas gostam de conviver e quando gostam de nós é como se fôssemos um irmão. Vamos para o deserto jogar voleibol ou andar de mota de água ou simplesmente fazer um belo churrasco.»
Outra aventura é conduzir pelas ruas da cidade:
«É uma verdadeira loucura. Vou sempre a pedir a Deus para não me acontecer nada. São completamente doidos na estrada, escusado será dizer que os acidentes são constantes, mas felizmente ainda nunca tive nenhum.»
Benfica é favorito na corrida ao título português
Mesmo à distância Nuno Lázaro não perde pitada do que se passa no futsal em Portugal e questionado sobre o palpite de quem vai ser campeão, a resposta estava na ponta da língua:
«O Benfica está a ser a equipa mais regular, é a equipa que tem mostrado mais argumentos. Em relação ao Sporting ainda não consegui perceber como faz jogos tão bons e depois outros de nível inferior. Uma palavra também para o Sporting de Braga que apresenta um bom futsal. Certo é que tanto Benfica e Sporting têm excelentes treinadores e é bom que se diga que o treinador português é considerado dos melhores do Mundo.»
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