André Lima, à caça da China... sem cão
Já passou por dois clubes, orientou as seleções masculina e feminina daquele país e a curiosidade não se ficou pela China: já visitou Hong Kong, Macau, Tailândia, Vietname, Kiran do Sul, Coreia e Sri Lanka.
A BOLA falou com André Lima em plena comemoração do ano novo chinês, numa altura em que o treinador português aproveitou para tirar alguns dias de férias.
«Aqui o ano novo é festejado durante todo o mês de fevereiro, mas a passagem de ano é agora no dia 19. Tirei uns dias de férias porque a China, nesta última quinzena de fevereiro, pára completamente», explica André Lima, absolutamente rendido às comemorações dos chineses:
«É diferente da nossa passagem de ano. Primeiro porque dura 15 dias. Quem é de outras terras regressa a casa nesta altura. Depois, temos muitas festas na rua, típico deste país. É muito bonito, a mistura de luzes e cores. Vale a pena. Só tinha tirado férias nesta altura no segundo ano mas agora aproveitei e também vou conhecendo outros países aqui à volta.»
Dois fiéis escudeiros... brasileiros
André Lima está na China desde 2011, altura em que assumiu o comando técnico do Ko Wong Meng. Depois, chegou às seleções, onde esteve dois anos, antes de assumir, esta época, um novo projecto, no Guangzhou Lixun.
«Tem sido muito gratificante treinar aqui. Estive dois anos com a seleção principal mas o tempo que me davam para estágios era muito curto para aquilo que é preciso de modo a existir uma evolução sustentada. Como em tudo na China, quando é preciso fazer alguma mudança, fazem tudo muito lento. Mas o campeonato chinês é equilibrado, tem uma competitividade assinalável e, humildemente, sinto que ajudei muito para essa evolução», assinala André Lima, que luta agora por outros objetivos e em diferentes vertentes:
«O Guangzhou Lixun é um clube que mudou recentemente de nome e chamou-me para estruturar todo o futsal. Está a dar-me muito prazer porque é algo que estou a construir quase do zero. Neste primeiro ano o objetivo é ficar entre os três, quatro primeiros mas acredito que, se mantiver a maior parte destes jogadores, com mais um ou dois atletas de qualidade, conseguirei lutar pelo título já na próxima época», analisa o treinador, que conta com apenas dois estrangeiros no plantel, velhos conhecidos do futsal português e que acompanham André Lima desde a sua chegada à China:
«O Eskerda e o Josiel estiveram sempre comigo. São dois brasileiros, jogaram ambos em Portugal.»
Tudo menos... cão, cobra e tartaruga
Desde que chegou à China que André Lima vive em Guangzhou. «É uma cidade que gosto muito. É grande, evoluída e com boas temperaturas durante todo o ano», acrescenta o treinador, cujo dia-a-dia é bastante simples:
«Começo com o treino no clube e à tarde vou treinar as escolinhas que abrimos. Vivo perto do complexo onde trabalho e estou completamente adaptado. Gosto das pessoas, fiz grandes amigos e gosto também da comida», explica o treinador. Há, porém, algumas coisas na gastronomia onde André não chegou... e não vai chegar.
«Cão! Não como cão e só uma quantidade muito reduzida ainda come. Isso deve acabar entretanto. Também nunca comi cobra e tartaruga...», atira de pronto o técnico, que ainda assim já tem aventuras gastronómicas para contar:
«Já comi crocodilo. Dizem que é bom mas... não gostei. Acho que deve ser mais psicológico. Se não souberes o que é... comes.»
Portugal? Não!
Se a vida de André Lima levou uma grande volta em 2011, com a mudança de Portugal para a China, o ano de 2014 também não deixou de ser, no mínimo, especial. O treinador casou com Sandra Reis, também ela portuguesa.
«Conheci-a quando ainda treinava o Benfica mas só começámos a namorar mais tarde. Deixou o trabalho dela, como controladora de qualidade na indústria automóvel, para me acompanhar. Neste momento não está a trabalhar mas a qualquer momento pode aparecer alguma coisa. A China é um país de oportunidades», reconhece André Lima que, questionado sobre um regresso a Portugal, nem tem de pensar duas vezes:
«Sinceramente, não. Só se muita coisa mudasse aqui. Além da vida em Portugal não estar fácil, estou feliz e realizado aqui.»
E num regresso a Portugal, só voltaria para treinar... o Benfica?
«É impossível esquecer o tempo que vivi naquele clube. Afinal, foram dez anos da minha vida, como treinador e como jogador. Mas claro que me vejo a treinar outro clube, sou profissional»,
justifica.
Abola
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